palavra do leitor

Comentário sobre a notícia "Audiência pode ter consolidado tendência a favor das cotas".

Não pairam dúvidas que os valorosos argumentos a favor das cotas foram muito mais consistentes que os contra. As alegações do Senador Demóstenes foram e são dignas de absoluto repúdio a uma pela vontade livre e consciente de tentar invalidar pesquisas fortes e robustas apresentadas; a duas por tentar desqualificar a relevância dos resultados do Prof.José Jorge de Carvalho; a três por tentar negar a existência do racismo institucional; a quatro por negar a existência do tratamento diferenciado aos negros e negras desse país; e por ai vai! Com toda a certeza não encontrará ressonância a fala destruindo a imagem das Nossas mulheres negras que, segundo ele, submetiam-se as lascívias e toda espécie de maldade praticada pelos senhores escravocratas porque queriam. Tenho certeza que ninguém gostou dessa afirmação, muito menos a Ministra Carmem Lúcia, que não mediu limites para afirmar que quanto a discriminação contra mulheres ela tem conhecimento de cátedra. Imagine-se, após os incontestáveis resultados apresentados pelo Prof. Tratenberg (UFSC) e do cotidiano, a revoltante condição da mulher negra e os peralços que sofre todos os dias. Nessa trilha, acrescente-se a forma agravada da discriminação das mulheres, como por exemplo: a) negra; b) homossexual; c) deficiente. Aquela que se encontrar em qualquer em qualquer das formas (“a”,”b”,”c”, ), com o máximo respeito, não poderá sequer respirar ! É certo que a liberdade de pensamento e expressão encontra amparo constitucional e nessa linha ao ouvir o pronunciamento do Doutor Militão seguido do Miranda (Movimento Negro Socialista) causa estranheza sem par, e desconforto geral, pois navegam contra a maré, e tentam proteger os dominante contra si, como por exemplo na hipótese levantada pelo Miranda de que o negro “tomará” o lugar do branco em uma disputa, quer na universidade, quer no serviço publico ou privado. Impressionante a alegação, pois é sabido e consabido que desde as priscas eras sempre foi o contrário. Se eles, por exemplo, forem disputar uma vaga qualquer com um branco, as provas são incontáveis de que o branco será o escolhido. Será que eles não sabem disso? De todo o modo, penso que o Brasil passará a analisar a situação do negro/a de forma muito diferente a partir das audiências. Os alunos da UERJ fecharam com chave de ouro os trabalhos e isso ninguém pode contestar. Some-se os resultados da UFJF, na qual o Professos com muita firmeza provou que, apesar de todas as dificuldades experimentadas pelos negros e oriundos de escolas públicas alcançaram resultados iguais ao final dos cursos, o que comprova a qualidade, a garra, força e perseverança. Some-se também, que as cotas, tem um único endereço: o negro/a, afastando a ideia das cotas sociais. Não se esquecendo que o branco em igualdade de condições com o negro – ambos pobres – leva sempre a vantagem. Não somos e nunca fomos contra os brancos, mas sim pela igualdade plena entre brancos/as e negros/as. E é nessa linha que todo o brasileiro/a deve lutar.

De: Eginaldo Marcos Honorio
Email: eginaldo.honorio@fox.com.br

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