24 de Setembro de 2017 |
Última atualização 0:0
Comentamos
Flip: professora negra emociona Lázaro Ramos em debate sobre racismo
21/10/2007
Grupo de defesa animal ofende memória de negros e judeus
Redação

S. Paulo – Sob o pretexto de fazer a defesa dos animais, um grupo adepto do veganismo - uma corrente radical do vegetarianismo, que prega o não consumo radical de carne - ofende a memória de negros e judeus, vítimas do racismo e do nazismo. Seus adeptos mantém na Internet uma página (www.holocaustoanimal.org) em que exibem fotos comparando o holocausto com o abate de animais, em especial porcos, e também faz comparações bizarras e atentatórias à memória dos negros exibindo a imagem conhecida da Escrava Anastácia, personagem lendária e considerada santa pela devoção popular brasileira, colocada ao lado de cães com focinheiras.

A denúncia está sendo feita pela ONG ABC sem Racismo, que na semana passada (11/10) protocolou representação junto ao Ministério Público de S. Paulo, pedindo a abertura de investigação para apurar os crimes de apologia à escravidão e ao holocausto. A prática pode ser enquadrada como crime de racismo previsto na Lei 7.716/89, com redação dada pela Lei 9.459/97, que pune quem “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”, e sujeita o infrator a uma pena de reclusão de dois a cinco anos e multa ““. O responsável pela ONG seria Fábio Paiva, morador no Ipiranga, em S. Paulo, não foi encontrado pela Afropress.

Imagens chocantes

As imagens colocadas na página da Internet parecem ter como propósito chocar, porém, as palavras não são menos fortes. Fotos de fileiras de judeus mortos no campo de concentração de Treblinka são colocados ao lado de porcos abatidos. Na mesma foto, a pergunta: “Qual a diferença?” No caso da Escrava Anastácia que, segundo conta a história, foi sentenciada por um senhor de escravos, inconformado com a recusa da mesma em com ele manter relações sexuais, a usar uma máscara de ferro, que seria retirada apenas para que fizesse suas refeições - o que acabou provocando sua morte por maus tratos - as fotos de cães com focinheiras vem acompanhadas da afirmação. “Qualquer semelhança não é mera coincidência”. “Curiosa, perversa e tétrica a associação subliminar que o Representado (Fábio Paiva) faz associando as imagens de judeus vítimas do holocausto a porcos e de negros a cães. Tais práticas são degradantes e ofensivas à história e ao sentimento de auto-estima da população negra e atentatórias às vítimas do holocausto nazistas e suas famílias, bem como aos sobreviventes daqueles crimes, considerados crimes contra a humanidade e são merecedoras do opróbrio e da vergonha de toda a sociedade brasileira”, diz a representação, assinada pelo presidente da ONG ABC sem Racismo, o jornalista Dojival Vieira.

A representação endereçada à promotora Fernanda Leão, coordenadora do Grupo de Inclusão Social do Ministério Público do Estado de S. Paulo, pede a instauração do procedimento administrativo, bem como a adoção de todas as medidas cautelares que o caso exigir.


Artigos Relacionados
Rio faz caminhada para dizer "Não" à intolerância religiosa
Para Elisa Lucas, o momento é favorável às ações afirmativas
Presença negra na Conferência Mundial de Humanidades na Bélgica
Alckmin enviará a AL projeto criando Fundo de Direitos Humanos
Twitter
Facebook
Todos os Direitos Reservados