15 de Agosto de 2020 |
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Ativista negra se declara inocente e acusa justiça seletiva
27/10/2011
Aos que querem o nosso silêncio
A Afropress se mantém há seis anos ininterruptos no ar, fazendo Jornalismo sério e comprometido com a igualdade. Não se confunde com o "time da boquinha", os bajuladores dos poderosos de plantão, "puxa-sacos" contumazes que se disfarçam de defensores de uma Causa que é de todos para tirar proveito, engordar currículos ou viver de benesses e favores do Estado. Melhor dizendo: dos restos que caem da mesa dos poderosos deste Estado racista em que vivemos.

Esse time faz o papel irresponsável e leviano de lobistas dos restos que caem da mesa; é uma espécie de infantaria franco-atiradora pronta a disparar contra os que ousam fazer a defesa de posições com as quais discordem. A Afropress noticia fatos, não briga com a notícia, comprometida com um Jornalismo que não rende reverências nem faz mesuras ao "puxa-saquismo" militante, nem ao Poder. Com a mesma altivez com que enfrentamos os grupos nazistas e neo-racistas, que mantiveram durante anos ataques sistemáticos à nós, com ameaças inclusive à integridade física dos seus jornalistas incluindo o editor, chegou a hora de desmascarar esses falsos "ativistas", que falam em nome da população negra brasileira, sem qualquer procuração, estejam onde estiverem. O Movimento Negro Brasileiro sério, composto por homens e mulheres comprometidos com a luta pela igualdade (e não de oportunistas que usam a causa para arrostar uma influência que não tem em lugar nenhum), sabem muito bem distinguir quem são os nossos verdadeiros adversários. Tais oportunistas tem seus pontas de lança em toda a parte: na Academia, nos partidos, nas redes sociais. Funcionam como um lobby azeitado. Não tem influência sobre ninguém, e apenas servem como massa de manobra dos poderosos de plantão. São conhecidos, notórios. A Afropress não se sustenta, nem nada deve a tais personagens, que vivem às sombras, mas do trabalho sério, comprometido com a igualdade de homens e mulheres, dentro e fora do país. A Afropress não ataca pessoas, mas cobra a responsabilidades de agentes públicos (que ocupam cargos e recebem salários e regalias pagas com dinheiro público) e por isso - sejam negros ou não negros - tem o dever de prestar contas e de atender jornalistas (qualquer jornalista, como qualquer pessoa) com educação e urbanidade. Não é favor que o façam, é dever. O desespero dos arautos do "puxa-saquismo" e da bajulação inconsequente é que não se conformam com a nossa independência, com o trabalho sério que fazemos, sem quaisquer outro interesse, senão o de fazer avançar a luta pela igualdade no Brasil, de interesse de todo o povo brasileiro. Se fazem porta-vozes, sem que jamais tenham buscado a legitimidade no trabalho. Na sua lógica simplista e tosca, dividem o mundo entre "pretos" (nós) versus "brancos" (eles, o resto). Ignoram por ignorância ou má fé, que a contradição fundamental numa sociedade capitalista como a nossa, não é a que opõem pessoas pela quantidade de melanina que carregam no seu DNA. Vivem da fofoca, do diz-que-diz-que; se alimentam da autofagia eterna que opõem negros contra negros, apenas porque pensam diferentes, como se não tivéssemos o direito a pensar diferente, a ver e acreditar em estratégias diferentes para atingir o mesmo objetivo: um país com Igualdade Justiça para todos (as). Mal desconfiam que, ao se alimentarem dessa cultura destrutiva e sequelada, que impede a unidade de negros de diferentes posições políticas e ideológicas, prestam serviço relevante aos racistas. Mal amados, rancorosos, vitimizados, enxergam "inimigos" em toda parte (até debaixo das suas próprias camas), e não vacilam em fazer da intriga e da mentira - inclusive muitas vezes fazendo uso da condição de gênero - contra os que tem a coragem de expor suas idéias. Assim como derrotamos os racistas e neo-nazistas que nos atacaram e continuam nos atacando, também derrotaremos esses sinistros personagens, aspirantes a "inspetores de quarteirão", em plena República, em pleno Estado Democrático garantidor das liberdades duramente conquistadas na luta contra a ditadura militar e de direitos - inclusive e, principalmente, o direito à liberdade de opinião e de expressão. Querem falar em nome de todos os 196 milhões de negros brasileiros - e silenciar as vozes que não engrossam o cordão -, sem que tenham tido um único voto. As lideranças negras sérias e comprometidas com a igualdade tem na Afropress um espaço para fazer circular suas idéias, para denunciar os inúmeros atos de racismo que temos denunciado no nosso cotidiano, para dar visibilidade a posições de lideranças, independente de filiação religiosa ou engajamento político-ideológico ou partidário. Os negros de "todas as cores" tem na Afropress um espaço, um fórum, uma voz independente e sabem que isso é uma conquista porque conhecem o nosso radical compromisso com a luta contra o racismo e pela Igualdade no Brasil. A defesa que fazemos da manutenção e ampliação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da igualdade Racial (SEPPIR) - que a Presidente Dilma estaria pretendendo juntar com outras Secretarias num único Ministério de Direitos Humanos -, não guarda relação com a defesa da "boquinha", nem com o "puxa-saquismo" renitente dos bajuladores da ministra - desta ou de qualquer outra, ou outro que venha a ocupar o cargo. Distinguimos com muita nitidez uma coisa da outra. Fazemos a defesa da manutenção, ampliação e fortalecimento da SEPPIR, histórica demanda do Movimento Negro brasileiro e espaço maior de tensionamento em torno do tema no âmbito de um Estado que mantém a maioria da população, após os 123 anos de abolição, sob as barreiras do racismo e da desigualdade. Não por sabujice. E nisso nos associamos às posições da Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN), a União de Negros pela Igualdade (UNEGRO), ao Coletivo de Entidades Negras (CEN), ao Movimento Negro Unificado (MNU), ao Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), que, em Notas Públicas, expressaram a posição frontalmente contrária a qualquer reforma ministerial que venha retirar da SEPPIR o status de ministério. Vale lembrar que as entidades, articulações e lideranças citadas pertencem ao mais variado expectro ideológico - desde militantes da base dos partidos que dão sustentação e apoio ao Governo Dilma como o PT e o PC do B, a lideranças sem qualquer filiação ou engajamento partidário. No mais, os bajuladores de plantão, contenham os seus ímpetos. Todos conhecemos qual foi, qual é qual será sempre o papel desses novos capitães do mato com sinal trocado, travestidos de defensores de uma Causa, do qual pretendem se fazer porta-vozes, sem voto, procuração, nem legitimidade.
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