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Manifestações em todo o país pelo Dia da Consciência Negra
16/02/2013
Dramaturgo e ator negro Ubirajara Fidalgo será homenageado em SP
Da Redação

S. Paulo/Rio – O dramaturgo Ubirajara Fidalgo, uma das figuras símbolo do Teatro Negro brasileiro, morto precocemente em 1986, aos 37 anos, de insuficiência renal, será o grande homenageado da Mostra Nova Dramaturgia, produzida pelo grupo Melanina Acentuada, que acontece quarta-feira (20/02), a partir das 19h, no Teatro de Arena Eugênio Kusnet, em S. Paulo.

A programação da Mostra prevê leitura do texto “Tuti”, por Aldri Anunciação, um bate-papo com a filha do dramaturgo, Sabrina Fidalgo, diretora, roteirista, produtora e artista visual, e exposição de fotos e vídeos sobre Ubirajara e o TEPRON (Teatro Profissional do Negro), criado pelo dramaturgo no início dos anos 70, juntamente com a mulher e mãe de Sabrina, a atriz e modelo, Alzira Fidalgo, falecida no final de 2011.

Depois do Teatro Experimental do Negro (TEN), criado por Abdias Nascimento, o TEPRON é a primeira grande experiência de negros atuando no Teatro com propostas inovadoras. “Não querendo desmerecer o TEN, mas o TEPRON foi a primeira Cia. de teatro negro a encenar textos de um autor negro”, afirma Sabrina.

O Melanina Acentuada é composto pelo dramaturgo Aldri Anunciação, autor da peça "Namíbia, Não!", pelo produtor Leonel Henckes e pelo ator Wellington Borges, de Salvador. Eles foram os ganhadores do edital da FUNARTE com o projeto Nova Dramaturgia para ocupação do Teatro Dulcina, no Rio.

Quem foi

Segundo Sabrina, a homenagem ao dramaturgo reforça a necessidade da manutenção do acervo dos seus trabalhos. “Estamos trabalhando no acervo e colocando em editais. A idéia é termos apoio para manunteção do acervo que é enorme. Posteriormente vamos fazer captação para remontarmos suas peças, a primeira delas seria "Fala Pra Eles, Elisabete", em um projeto multimidia com peça, lançamento de livro, exposições e mais leituras de textos. E também algo na area do audiovisual, como um documentario", acrescenta.

Além de dramaturgo, Fidalgo foi um artista de muitos talentos - foi, diretor, produtor, figurinista e empresário (foi dono de um atelier de corte e costura no Rio) e apresentador de um quadro sobre moda e cultura no programa ELA de Edna Savaget na TV Bandeirantes, de 1983 a 1986.

Entre os trabalhos do pai, Sabrina destaca a peça "Tuti", "Fala Prá Eles, Elisabete", o monólogo "Desfulga" e a comédia "A Boneca da Lapa". Há também um texto inédito chamado "Bambi's Son".

Filha única (foto ao lado), Sabrina disse que guarda uma imagem muito carinhosa do pai. "A imagem e a lembrança que tenho dele é a melhor possivel. Convivi com ele até os 8 anos e meio de idade. Para muitos parece pouco, mas para mim as lembranças são muitas. Era uma pessoa única, mágica, criativa, pró-ativa, engraçada, um artista completo. Aprendi a amar o cinema com ele, que era cinéfilo de carteirinha. Acho que íamos ao cinema pelo menos duas vezes na semana e víamos filmes em casa", conta.


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