20 de Agosto de 2019 |
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Ativista negra se declara inocente e acusa justiça seletiva
18/07/2013
Quem são e o que dirão os negros à Dilma?
Editorial

Na esteira das manifestações de junho que fizeram despencar a popularidade e abriram uma crise no seu Governo, a Presidente Dilma Rousseff, recebe nesta sexta-feira (19/07), um grupo de 20 líderes para discutir as demandas da população negra brasileira.

Destaque-se que, embora tenha tentado se fazer porta-voz, o papel da ministra chefe da SEPPIR Luiza Bairros foi recusado, como explicita um dos dirigentes da Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN), Gilberto Leal, da Bahia.

Diz o dirigente baiano que o movimento quer andar com as próprias pernas, quer ser protagonista nesse encontro com o Governo, protagonismo que não tem sido a tônica nos últimos anos, nem no Governo nem nas ruas, como prova a ausência nas manifestações de junho e, anteriormente, na mobilização de denúncia à presença do deputado Feliciano, o mesmo que atribuiu a nós negros a condição de “descendentes amaldiçoados de Noé”, na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

Sobre o encontro desta sexta-feira é inescapável concluir que a lógica da escolha dos líderes é a mesma que tem pautado o Governo na relação com os “movimentos sociais” atrelados a agenda do ministro chefe da Secretaria Geral da Presidência Gilberto Carvalho.

Os critérios são quase sempre definidos pela solidariedade de negros de partidos integrantes da base aliada do Governo, o que torna a pauta previsível e os resultados também.

A primeira questão relevante sobre o encontro que acontece em um novo momento no país (as manifestações de junho refluíram, porém, não acabaram) é saber quem são os líderes que estarão no Palácio do Planalto para encaminhar as nossas demandas.

A crise de representação que as manifestações evidenciaram e que colocaram em cheque as instituições e os Poderes do Estado (Executivo, Legislativo e Judiciário) e todos os Governos de todos os partidos, também se estende a representação de "movimentos sociais", incluído o movimento negro que, à custa de emendas parlamentares, acordos de bastidores e de favores para alguns, se tornou uma caricatura de um movimento social que deveria ser autônomo e independente de partidos (quaisquer partidos) e de Governos.

A segunda é que propostas, que reivindicações, que demandas entregarão à Dilma, levando em conta que o encontro não sirva apenas para a produção de imagens para a próxima campanha eleitoral, sob a orientação de João Santana, o marqueteiro da Presidente.

No caso da maioria da população brasileira, que é negra, e que não estará representada pelos líderes escolhidos pelo Planalto, parece óbvio que a nossa pauta é tão extensa quanto pode ser resumida numa única reivindicação: que o Estado brasileiro complete a Abolição inconclusa, feita há 125 anos, com medidas concretas nas áreas da Educação, do mercado de trabalho, da Saúde, da Segurança Pública, do sistema político, dos meios de comunicação, que garantam a inclusão da maioria da população brasileira, que é negra aos direitos básicos da cidadania. É tudo isso e é só isso.


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