9 de Abril de 2020 |
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Ativista negra se declara inocente e acusa justiça seletiva
06/08/2013
Projeto mira na mudança de perfil da classe média negra
Da Redação

S. Paulo – O Brasil Afroempreendedor pretende ser um projeto piloto capaz de irradiar outras ações complementares nos Estados e Municípios, que sirvam a organização coletiva dos empreendedores negros em todo país, atualmente desorganizados e com acesso reduzido aos mecanismos oficiais de crédito. A opinião é do consultor do SEBRAE e coordenador executivo do Projeto, João Carlos Nogueira, para quem os participantes terão como vantagem a “visibilidade pública e do acesso às políticas de crédito”.

O Projeto, uma parceria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), com o Instituto Adolpho Bauer (IAB), de Curitiba, o Coletivo de Empresários e Empreendedores Negros de S. Paulo (CEABRA/SP) e Associação Nacional dos Coletivos de Afroempreendedores (ANCEABRA) foi lançado em evento público na Câmara Municipal, com a presença do ministro Miguel Afif Domingos, da Secretaria da Micro e Pequena Empresa do Governo federal, da ex-ministra da SEPPIR, Matilde Ribeiro, do deputado federal Vicente Cândido (PT/SP) e da deputada Leci Brandão (PC do B/SP), que fizeram parte da mesa.

Empreendedores negros

Segundo Nogueira, existem cerca de 5 milhões de empreendedores negros, a maioria (cerca de 60%) nas regiões sul e sudeste. O SEBRAE conta, no momento, com 6 milhões de microempresas cadastradas e 3 milhões de empreendedores individuais, porém, estima-se que o universo chegue a 17 milhões no país.

O Programa abrangerá empreendedores nas cinco regiões: Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, (Sul); S. Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais (Sudeste); Pernambuco, Bahia, Maranhão e Paraíba (Nordeste); Goiás (Centro Oeste); e Amapá (Norte). Cada Estado terá a possibilidade de inscrever 100 empreendimentos.

Nogueira (na foto no centro) explica que os critérios usados para a definição de vagas partiu "da análise das iniciativas das unidades do SEBRAE por Estado, onde havia CEABRAS relativamente consolidados e também ao aspecto regional – contemplar todas as regiões do país".

“Nós ficamos nesses critérios porque não haveria possibilidade neste piloto de seguir o critério da densidade populacional negra para definir o número de empreendimentos por Estado. Por isso um número único por Estado”, afirmou, acrescentando, porém, que nada impede o envolvimento de Prefeituras e Governos dos Estados, para ampliar o número de empreendimentos contemplados. 

Recursos

No primeiro momento serão investidos R$ 4 milhões, na sua maior parte, pelo SEBRAE, que serão usados na capacitação dos afroempreendedores.

Outro ponto que Nogueira esclarece diz respeito a contrapartida por parte dos afroempreendedores. “As contrapartidas serão de investimentos em cada uma das atividades desenvolvidas, com a produção de materiais para formação e capacitação”, afirmou. Como parte da formação e capacitação estão previstos seminários – que deverão ocorrer em março do ano que vem – e que também servirão para a definição dos critérios para a escolha dos 100 empreendimentos de cada Estado.

Classe média negra

Nogueira – que já ocupou a secretaria executiva da SEPPIR (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), na gestão da ex-ministra Matilde Ribeiro e que teve o nome cogitado para assumir a Secretaria na saída da ministra – disse que o empreendedorismo pode ser "a grande alavanca de uma nova classe média negra no país". “A Classe média negra, 70% dela sai para o trabalho formal e para o empreendedorismo. Se criarmos as condições de mais acesso ao crédito, e mais investimentos na microempresa, em três a cinco anos, teremos uma classe média negra consistente com empreendedores consolidados”, afirmou, acrescentando que a classe média negra hoje – ainda incipiente em S. Paulo, e praticamente inexistente nos demais Estados – tem um perfil clássico porque é oriunda de serviços, indústria e do serviço público”.

Como participar

Para participar do Programa os interessados devem procurar as sedes do CEABRA e do SEBRAE em cada Estado. Em S. Paulo, devem fazer contato com a consultora nacional do Projeto, Aparecida dos Santos, no telefone (11) 3333-1066. E-mail: aparecida.dossantos@yahoo.com.br.

Ao falar encerrando a cerimônia de lançamento do Projeto, o ministro Afif Domingos criticou o excesso de burocracia e disse que o Estado tem de tratar de forma diferente as micro e pequenas empresas “e não tratar tudo de uma baciada só”.

“É preciso desatar os nós que nos impedem. Ser empreendedor e não ter medo de assumir risco. E quem não tem medo progride porque todo mundo quer melhorar de vida. Eu gosto muito desse movimento nas ruas”, afirmou, numa alusão a presença de lideranças do movimento social negro presentes.

(Na foto, a advogada Alessandra Franco, coordenadora da Igualdade Racial de São Vicente, a deputada Leci Brandão e a ex-Theodosina Ribeiro, e o diretor executivo da Revista Raça e colunista de Afropress, Maurício Pestana). Crédito das fotos: Patrícia de Jesus.


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