13 de Julho de 2020 |
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Ativista negra se declara inocente e acusa justiça seletiva
22/02/2014
Lembra da racista da Paulista? A moça da foto ganhou na Justiça
Da Redação, com informações do Jornal Folha de S. Paulo

S. Paulo – Davina Castelli, 72 anos, a aposentada – que ficou conhecida nas redes sociais como racista da paulista, por agredir e insultar negros costumeiramente à porta do Shopping Top Center - vai para a cadeia: é o que decidiu a juíza Giovana de Oliveira, que determinou sua prisão imediata por “descaso e desrespeito à Justiça” e a condenação a quatro anos de prisão em regime semiaberto por agressões e insultos racistas.

A decisão da juíza, em primeira instância, não é considerada comum nos meios judiciários. A Defensoria Pública de S. Paulo, que atuou no caso porque a aposentada não contratou advogado, disse que vai recorrer da decisão porque entende que a juíza extrapolou ao suspender o direito de Davina de recorrer em liberdade. A Defensoria já entrou com Habeas Corpus para evitar a prisão.

A agressão que resultou na condenação da aposentada foi feita a corretora Karina Chiaretti, 36 anos (foto), sobrinha do militante negro Hélio Santos, a vendedora Suelen Meirelles e ao supervisor predial Alex Marques da Silva, 23 anos. Os três foram agredidos com as seguintes frases: “Macaca, eu não gosto de negro; negro é imundo; a entrada de negros no shopping deveria ser proibida; odeio negros, negros são favelados”.  

Além da condenação à prisão, Davina terá de pagar R$ 28.960,00 – o equivalente a 40 salários mínimos - de indenização por danos morais a cada um dos três ofendidos.

Como foi

O caso aconteceu em novembro de 2.012 e foi acompanhado pela advogada Carmen Dora de Freitas Ferreira, presidente da Comissão da Igualdade Racial da OAB/SP. Segundo Karina, ela estava com a filha de 8 anos quando foi ofendida pela aposentada. Segundo ela, tão grave quanto o comportamento da agressora foi a omissão da Polícia.

 

“A Polícia não está preparada para crimes raciais. A escrivã não queria registrar o caso. Ela disse: vai embora que isso não vai dar em nada. Já tem seis BOs (Boletins de Ocorrência) por racismo contra essa mulher”, contou.

Karina afirma que a Polícia só mudou o tratamento quando voltou a delegacia três dias depois, porque o tio – Hélio Santos –, que é o ativista negro mais próximo ao PSDB, amigo pessoal do ex-governador José Serra e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – ligou para o governador Geraldo Alckmin para reclamar. “Sem “carteirada” esse caso não teria andado”, acrescentou.

Veja o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=cmOYg439LtQ

 


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