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Manifestações em todo o país pelo Dia da Consciência Negra
29/12/2014
Nilma Lino na SEPPIR atende movimento negro, diz Hélio Santos
Da Redação

Salvador/BA – O professor Hélio Santos, um dos intelectuais e ativistas de maior prestígio do movimento negro, disse que a escolha da professora Nilma Lino Gomes, pela Presidente Dilma Rousseff, para substituir a socióloga Luiza Bairros, na SEPPIR, “atendeu plenamente a expectativa do movimento negro indepedente”.

“A minha posição era exatamente essa. A presidente Dilma respondeu de uma maneira absolutamente correta. O desrespeito seria ela colocar a SEPPIR nessa sanha partidária que tem sido a disputa de cargos e ocupação dos ministérios”, afirmou.

Santos, considerado um dos ativistas tidos de maior proximidade com  lideranças do PSDB como o ex-presidente Fernando Henrique, e o ex-governador, e atual senador por S. Paulo, José Serra, havia dito em entrevista a Afropress, que a não manutenção de Luiza Bairros, no cargo, significaria um “desrespeito à da presidente à população negra”. Durante a campanha eleitoral, contrariando as expectativas, ele declarou voto na petista na disputa contra o senador tucano Aécio Neves.

Coerência

Ele disse ter visto na escolha da atual reitora da UNILAB, muita coerência por parte da presidente. “Ambas são mulheres, são acadêmicas, são quadros do movimento negro. Ambas são doutoras nas suas áreas, Nilma em pedagogia, e Luiza em Antropologia. Elas são conhecidas e reconhecidas. A presidente Dilma fez o que eu esperava. Eu disse que havia diversos homens e mulheres. Eu estou muito satisfeito. Aquele otimismo meu continua. A presidente Dilma fez o que devia fazer: respeitou a comunidade negra”, acrescentou.

Hélio destacou o fato de a nova ministra não vir da cota de nenhum segmento, a não ser do segmento negro. “Ela não vem como quadro partidário. No caso da população negra, não posso dizer que a opção é técnica, mas política, e da melhor qualidade. O movimento negro partidarizado ficou fora dessa história. A escolha da Presidente Dilma, ao nos livrar da sanha partidária por cargos, nos respeitou e mais do que isso (porque respeitar é uma obrigação) ela nos valorizou”, sublinhou.

Linhas de atuação

Considerando especulações de que o seu nome estaria entre os primeiros no primeiro escalão da equipe da nova ministra (“Essa ideia não tem o menor fundamento. Tem grande chance de ser boato, visando a má fé”), Hélio Santos, disse que a ação da nova ministra, na sua opinião, deve estar voltada a três grandes linhas de atuação: consolidação da política de cotas no acesso ao ensino superior; indução aos Estados e municípios adotarem políticas de ação afirmativa no serviço público, como ocorreu em S. Paulo por iniciativa da prefeitura e do Governo do Estado; e o financiamento de iniciativas, não apenas empresariais, mas institucionais, no campo da mídia, por exemplo.

“Todos nós temos ideias mil: Eu penso que há muitas coisas que nós não consolidamos: temos de consolidar as ações afirmativas nas Universidades. As Universidades do Maranhão e da Bahia, em nenhuma das duas há um monitoramento preciso dos cotistas. Na Universidade Federal do Paraná, pouco mais da metade das vagas são ocupadas. A maior parte das vagas vai para o segmento social. O papel que a SEPPIR ainda não pôde fazer é induzir políticas públicas”, afirmou.

Know how

Sobre as iniciativas dos Governos Fernando Haddad (PT), na Prefeitura de S. Paulo, e Geraldo Alckmin (PSDB), no Governo do Estado, ele considerou que as cotas no serviço público nasceram de “moto póprio”. “A SEPPIR tem de oferecer um know how; induzir grandes municípios e Estados a desenvolver políticas públicas”, acrescentou.

“Essa terceira frente ela já passou um pouco, acreditava que a ministra Luiza Bairros ia entrar nisso, mas ainda é tempo. Ou seja: dinheiro, capital, investimento nas iniciativas negras, eu penso em emissoras de rádio, eu penso muito na mídia; eu penso que são espaços naturais”, finalizou.


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