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05/06/2015
Acontece neste final de semana o Festival carioca de Contadores de Histórias
Da Redação: Sandra Martins é jornalista e integrante da COJIRA/Rio

Rio - No Rio de Janeiro, um grupo de contadores de histórias criou uma história que promete dar muito pano para manga. É o Festival Carioca de Contação de Histórias que tem como objetivo reunir artistas e educadores difusores da cultura e da literatura por meio da tradição oral, e o afeto pelos espaços públicos. O evento será lançado neste domingo (07/06), na Praça Cruz Vermelha, centro, tendo como vizinhos o INCA – Instituto Nacional do Câncer e Cruz Vermelha Brasileira, e nas proximidades a sede do IPCN – Instituto de Pesquisas Negras.

Na realidade, o Festival seria lançado no último domingo, 31 de maio, porém, a chuva não possibilitou a atividade ao ar livre. Por outro lado, a criatividade, mola propulsora dos contadores de história, abriu espaço para um delicioso bate-papo que mostrou, entre outras coisas, as intenções do grupo com o Festival Carioca de Contação de Histórias.

Segundo os contadores e integrantes do coletivo organizador, Fátima Verônica Santos, Ana Paula Brasil e Anderson Barreto, a proposta do grupo é a reunião de artistas e educadores difusores da cultura e da literatura por meio da tradição oral, e o afeto pelos espaços públicos. Além de outros e fortes motivos como a falta de investimentos na cultura popular, em especial, envolvendo espaços públicos; necessidade de saber o que os parceiros e parceiras de labuta estão fazendo, ao mesmo tempo que estão dando visibilidade aos trabalhos de todos; a assunção de que o mercado de contadores de histórias tende a se firmar e ações como esta possibilitam o aprimoramento dos profissionais e a articulação com instituições estadunidense e a iniciativa privada; além da intervenção positiva em prol da cultura da paz e da difusão da expressiva diversidade cultural brasileira.

A chuva não impediu a conversa, a troca de preciosas falas daqueles artistas de variadas formações e vivências, um delicioso debate sobre a palavra “afeto” que diz respeito à ação de afetar, intervir, de forma lúdica com o meio ambiente em que a pessoa humana está inserida. E nada melhor do que se fazer esse exercício numa praça, um ambiente que remete a várias situações e possibilidades – prazerosas ou não. E, fica a questão, por que não apostar no prazeroso?

E, para apostar nesta intervenção prazerosa, afetiva e amorosa, os contadores de história buscam ampliar suas ações promovendo a parceria com quem já desenvolve ou pretende desenvolver atividades na praça. Para ilustrar que o respeito às diferenças é importante e lutar pelo que une os vários grupos, o grupo conquistou duas grandes parcerias: o INCA e alunos do Colégio Cruzeiro.

No INCA, a proposta foi levar a contação de histórias para as crianças atendidas pelo hospital. Neste caso, houve uma capacitação específica para que um contador pudesse efetivamente colaborar com a construção de momentos mais leves, ao mesmo tempo em que ele também aprendia a lidar com a situação em que o outro se encontra.

Essa intervenção aconteceu na últma segunda-feira (01/06). Foram dois momentos de histórias e intervenções poéticas para as crianças em tratamento. As narrativas passeiam entre o folclore brasileiro e as histórias africanas, levando o ouvinte ao encantamento e exercício da memória.

Com os alunos do Colégio Cruzeiro, próximo à praça, a parceria vai ser efetivada no encontro deste domingo. Os jovens, voluntários, desenvolveram o evento Curta a Praça que integra o projeto Um Centro + Cultural. Eles disponibilizam uma cama elástica, do colégio, para a alegria da garotada da região. Também convidam artistas desconhecidos do grande público para apresentarem suas artes para aquele público pra lá de especial.

Agora a programação do domingo dá mostras que a atividade vai agradar e muito não só as crianças, mas a todos. De acordo com Fátima Verônica Santos, Anderson Barreto e Ana Paula Brasil, as atividades serão abertas com um café da manhã coletivo, ao mesmo tempo em que preparam a ambiência para a imaginação correr livre, por meio das apresentações de histórias, atividades artísticas, educação ambiental, palhaçaria, biblioteca sem paredes.

Entre os nomes já confirmados, contadores de histórias afrobrasileiras e africanas, cordelistas, bonequeiros, teatro de 2 minutos, oficinas de palhaçaria e de brinquedos a partir de material reciclado. A programação do Festival Carioca de Contação de Histórias pode ser acompanhada via facebook.

Enfim, só para finalizar, ou melhor, acrescentar um ponto neste conto, é possível sonharmos com uma praça viva, cheia de energia bacana, com trocas intensas e produtivas de afetividade.

 


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