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16/06/2015
Rede Nacional de Casas do Hip Hop: de olho no futuro
Keytyane Medeiros, Graduanda em Comunicação Social/Jornalismo/Unesp/Bauru

Araçatuba/SP - O III Encontro da Rede Nacional de Casas do Hip Hop aconteceu entre os dias 6 e 7 de junho, dentro do evento Imersão #H2, realizado pela Oficina Cultural Silvio Russo em Araçatuba.

Logo no começo do Encontro, os coletivos e Casas da Cultura Hip Hop de Bauru, Araçatuba, Jacareí, Diadema, Guarulhos, Barretos, São Carlos, Piracicaba e Mogi das Cruzes finalizaram termos, metas e objetivos da Carta de Princípios da Rede. Focada em Economia Solidária e em empreendimentos autogeridos, sustentáveis e horizontais, a Carta de Princípios serve para dar norte às atividades realizadas pela Rede, assim como de seus associados.

Ainda sim, uma das maiores preocupações dos gestores das Casas era preservar em Carta a autonomia, tanto em produtos gerados quanto no que diz respeito a eventos relacionados à cultura Hip Hop e às culturas urbanas.

A Rede Nacional de Casas do Hip Hop compreende a economia e os empreendimentos solidários como coletivos e espaços que fomentem a democracia, a cooperação e a valorização do trabalho emancipador.

Assim, Casas da Cultura e outros empreendimentos sustentáveis são interpretados como centros de referência e difusão das diferentes culturas urbanas, além de ser espaços de autogestão e comprometimento com a valorização dos saberes e práticas artesanais populares, com vínculos familiares e profundos ganhos sociais na vida dos pequenos empreendedores.

Conjuntura 

Além disso, ao redigir a Carta de Princípios, os coletivos presentes procuraram analisar a atual conjuntura social, política e cultural do país, no que tange à direitos humanos e direitos das minorias. Sendo o Hip Hop uma cultura-movimento social ligada às classes subalternas da sociedade capitalista, alguns de seus preceitos são a justiça, a liberdade e a união.

Assim, a Rede estabeleceu como princípio humano básico de sua atuação a luta equidade de gênero, contra a discriminação étnico-racial, contra o machismo e a homofobia e contra a xenofobia, além de desaprovar toda e qualquer tipo de opressão de classe, gênero ou religiosa.

Logo após esse momento importante para a constituição da Rede Nacional de Casas do Hip Hop, foram instituídas Frentes de atuação, como Articulação Político-Institucional, Articulação entre os 4 Elementos do Hip Hop e as Culturas Urbanas e a Frente de Formação e Acolhimento, entre outras. Essas frentes são coordenadas coletivamente por gestores de casas e empreendimentos que compõem a Rede.  

Moeda Quilombo        

Outra novidade sobre a Rede é a utilização de uma moeda social chamada “Quilombo”. Ao participar de eventos, os empreendedores da Rede, assim como consumidores em geral utilizaram o Quilombo ao invés do Real, assim, todo o fluxo econômico gerado por meio de forças e organizações de trabalho horizontais e cooperativas poderão ser mensuradas de outra maneira além de seu puro e simples valor de troca associado ao capitalismo comercial.

A iniciativa é inovadora e foi colocada em prática em grande escala no II Festival Percurso, em 13 de junho no bairro do Campo Limpo, zona sul de São Paulo. Em agosto, acontecerá a Assembleia Geral da Rede que decidirá sobre eventos futuros e usos do Quilombo e das Frentes. 

Além disso, o Encontro da Rede Nacional das Casas do Hip Hop também inseriu oficialmente a cidade de Araçatuba no universo instituído da cultura. Na sexta=feira, 05 de junho, a Casa do Hip Hop de Araçatuba foi inaugurada com a apresentação de DJs, MCs e Bboys locais. A Casa foi pintada pelos escritores de graffiti Zion (Barretos), Acme (Mogi das Cruzes) e Spok (São Carlos) durante a inauguração para dar início às atividades.

A Casa está localizada num bairro periférico chamado Porto Real, rodeado de empreedimentos habitacionais do Governo federal. O bairro, apesar de novo, carece de equipamentos públicos de lazer e educação, o que torna a presença da Casa do Hip Hop um diferencial para a comunidade.

A celebração reuniu autoridades locais, como o prefeito Cido Sério (PT) e mestres da cultura negra local, como o conhecido Macalé.

Para finalizar, houve um workshop com Evandro Fióti da Laboratório Fantasma, organizado pela Oficina Cultural Silvio Russo. Evandro contou sobre a experiência do irmão, Emicida, com uma empresa de processadores eletrônicos para a criação da campanha "Processador Humano", no qual o MC fez uma apresentação freestyle com palavras enviadas pela internet num show, ao vivo, em 2012. Para Fióti, uma das alternativas para estruturar um negócio no mundo do Hip Hop seria buscar parcerias com empresas comprometidas com inovação e abertas ao diálogo.

 


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