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Ativista negra se declara inocente e acusa justiça seletiva
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04/06/2016
Festa negra de Araraquara, o tradicional "Baile do Carmo", chega a Nova York
Da Redação, com informações de Edson Cadette

Nova York/EUA - “Os registros oficiais da história de Araraquara ignoram a presença da população negra e suas manifestações. Por isso o estudo do “Baile do Carmo” é importante para reconstruir uma parte omitida por essa história. Mais do que um baile realizado uma vez por ano, esse evento demonstra a organização e resistência do negro diante da discriminação e dos preconceitos existentes na cidade. A falta de registros documentais torna imprescindível o vasculhar das memórias de antigos participantes do “Baile do Carmo” com vistas a reconstrução de uma história desse evento”.

A afirmação foi feita pela acadêmica Valquíria Pereira Tenório, ao apresentar a história do Baile do Carmo, realizado tradicionalmente em Araraquara, cidade localizada a 270 Km de S. Paulo,  na 34ª edição do Congresso Internacional da Associação dos Estudos da América Latina (LASA), que aconteceu entre os dias 27 e 30 do mês passado, em Nova York.

A Associação que, conta com mais de 9 mil membros, 40% dos quais da América Latina e do Caribe, está completando este ano 50 anos.

O tema da palestra, acompanhada pelo correspondente de Afropress, Edson Cadette, foi o livro “Baile do Carmo: Memória, Sociabilidade e Identidade etnicorracial em Araraquara”, publicado pela editora brasileira Nandyala.

Segundo a pesquisadora, o baile”, realizado há mais de 80 anos, e que não está vinculado a Festa do Carmo, promovida tradicionalmente pela Igreja Católica, tem uma importância fundamental e histórica para os negros brasileiros, em especial, os negros do interior de S. Paulo, e significa muito para a construção da identidade negra afropaulista. 

Valquiria falou das pesquisas que fez e das conversas que teve com pessoas que frequentam o baile desde a juventude. Nas décadas de 60/70 as adolescentes usavam o “Baile do Carmo” para se apresentar à sociedade, uma espécie de debut. Destes bailes, que aconteciam uma vez por ano, surgiram casamentos.

Segundo a pesquisadora, conta-se que a festa era tão esperada que pré-adolescentes, acompanhadas dos pais, chegavam a ficar escondidas debaixo das mesas. Para Valquíria, o baile está presente na memória coletiva das pessoas e é um objeto importante a ser resgatado na história da cidade.


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