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05/06/2016
Muhammad Ali: morreu o homem que traduziu para o mundo a palavra altivez
Editorial

Morreu um gigante do século XX e de todos os tempos. O Planeta Terra ficou mais triste, mais pobre e mais medíocre com a partida nesta sexta-feira (03/06), de Muhammad Ali, o homem que, sozinho, desafiou o Exército mais poderoso da Terra, o Exército americano, dizendo “Não” e negando-se a ir à Guerra do Vietnã.

“Não tenho nada contra nenhum vietcongue. Nenhum vietnamita jamais de chamou de “crioulo”. Por que eles me pediriam para colocar um uniforme e viajar dez mil milhas longe da minha casa para jogar bombas e balas em pessoas marrom enquanto os chamados negros de Louisville são tratados como cachorros?”, foi a resposta direta que deu na recusa ao Exército. Pagou o preço, como acontece com todos os que não abdicam da altivez na vida, sendo suspenso por três anos e perdendo todas as honrarias e a medalha de ouro conquistada nas Olimpíadas de 60, em Roma.

Ali foi um gigante dentro e fora dos ringues, onde venceu 57 lutas, 37 das quais, por nocaute e perdeu apenas cinco, jamais por nocaute. Nunca foi ao chão, nem beijou à lona. Seria humilhação demais para um homem que aprendeu desde pequeno a viver de cabeça erguida.

“Eu sou a América. Eu sou a parte que você não reconhece. Mas acostume-se a mim – negro, confiante e convencido; meu nome, não o de vocês; minha religião, não a de vocês; meus objetivos, eu mesmo. Acostume-se a mim”, disse em tom desafiador certa vez.

Nascido, Cassius Marcellus Clay, seu nome de batismo, a arrogância que aparentava no ringue e fora deles, era apenas a sua forma de dizer. “Eu sou Muhammad Ali”, nome que adotou, em 1.964, ao se converter ao Islã. Era também uma forma de dizer: “Eu tenho a minha própria religião, não a de vocês”.

Sua altivez, por vezes era cantada em poesia, como ao dizer: “já lutei contra um crocodilo. Já briguei com uma baleia! Algemei o relâmpago! Joguei o trovão dentro da cadeia!”

Um dos gigantes do século XX e de todos os tempos partiu na sexta-feira. Foi se juntar a Nelson Mandela, outro gigante negro da África do Sul, que ensinou ao mundo que há coisas inegociáveis nesse mundo: a altivez, por exemplo, para quem quer ser digno e jamais baixar a cabeça à injustiça e a opressão.

Sobre os fracos, Muhammad Ali disse certa vez: “impossível é apenas uma grande palavra usada por gente fraca que prefere viver no mundo como está em vez de usar o poder que tem para mudá-lo. Impossível não é um fato, é uma opinião. Impossível não é uma declaração, é um desafio. Impossível é hipotético. Impossível é temporário”.

Vai, Muhammad Ali, se juntar aos gigantes que passaram por aqui e deixaram o mundo mais bonito e mais belo, não necessariamente mais justo. Sua vida inspirou e continuará inspirando todos os que querem continuar lutando para tornar a vida também mais digna.


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