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22/09/2016
Cineasta negro ensina Produção Audiovisual no cerrado goiano
Da Redação

Goiânia/GO - O cineasta carioca, Flávio Leandro, ministra este mês, Oficina de Produção Audiovisual,, dentro do Projeto Goiás Boa Imagem, contemplado no Edital de Cultura do Estado.  O projeto inclui cidades como Inaciolãndia, São Simão, Acreúna e Quirinópolis, no extremo sudoeste goiano.

Segundo Leandro, a proposta do projeto é enfrentar fatores diversos tais como a exclusão de jovens e adultos, de ambos os sexos, na mão-de-obra especializada da produção audiovisual no Estado de Goiás; os preconceitos sociais e raciais contra o morador da periferia das cidades, e dos lugares longínquos do Cerrado, o que gera a marginalização desses cidadãos levando-os a falta de perspectivas e oportunidades profissionais.  

"O atual grande impulso do mercado audiovisual no Brasil – tanto no segmento ficcional de entretenimento, quanto no documentário –, o fomento das TVs públicas a criação do novo padrão de TV digital no mercado, têm promovido um considerável crescimento na oferta mão-de-obra especializada. Esses fatores são detectados pelo aumento incessante de números de cursos de cinema, dos quais moradores do Sudoeste Goianos estão excluídas", afirma Leandro.

De acordo com o cineasta, o projeto rompe com o paradigma nocivo da exclusão, e leva às cidades do cerrado goiano, a proposta inovadora de incluir nas artes audiovisuais homens e mulheres do campo, permitindo assim o seu ingresso nesse promissor mercado de trabalho. 

"Por meio da aprendizagem adquirida na sala de aula os alunos conhecerão as três etapas da produção de um filme, e as ações na sua execução: a formação da equipe técnica; o levantamento das locações; a seleção e formação do elenco; a compra do material sensível; a locação dos equipamentos e do material técnico; a Análise Técnica; o Plano de Produção; o Cronograma de Filmagem; a Ordem do Dia, a Logística e os procedimentos durante as filmagens", acrescenta.

Projeto Boa imagem

O Projeto Jovem Boa Imagem – Oficina de Produção Audiovisual não é um curso sobre a história do cinema. É um método curto de aprendizagem profissionalizante que versa sobre a realização de um filme na etapa mais importante da sua feitura: a produção.

Para maior interação com o universo do set de filmagem, os alunos da Oficina, de cada cidade, produzem um filme de curta metragem, de ficção, onde colocam em prática todo o aprendizado adquirido em sala de aula. Ao final, cada turma promove a estreia do filme e recebem o Certificado de Concluso das 40 horas da Oficina.

Os participantes desse projeto são homens e mulheres na faixa de 18 (Dezoito) aos 60 (Sessenta) anos, selecionados e proveniente de comunidades de riscos ou de famílias de baixa renda, que já tenham concluído o estudo fundamental ou que estejam para concluir.

O Projeto oferece quatro Oficinas, cada uma com carga horária de 40 horas, distribuída em quatro semanas, com quatro horas diárias de aula, de segunda à sexta, dedicadas para cada turma composta de 25 alunos.

O cineasta já ministrou oficinas semelhantes em São Mateus e Conceição da Barra, no Espírito Santo, e em Salvador, na Casa de Cinema da Bahia.

Quem é

Flávio Leandro é um profissional de cinema que já atuou na produção de mais de 40 filmes brasileiros e internacionais. Ao longo da carreira de mais de 30 anos, trabalhou com os principais cineastas brasileiros como Nelson Pereira dos Santos, Cacá Diegues, Paulo Cesar Saraceni, Neville D’Almeida e Roberto Farias.

Dirigiu 10 curtas metragens; quatro deles apresentados em Festivais de países como os EUA, França, Itália, Angola e Burkina Faso.Em 2006 coescreveu, com Eduardo Gifone, o livro biográfico As Grandes Personagens da História do Cinema Brasileiro dos Anos 70, da Frahia Editora.

O cineasta também já teve teve projetos selecionados no Edital 3º Prêmio do Cinema Brasileiro, do Ministério da Cultura, 1994, com o curta Comportamento Humano; no Edital da Rio filme com o curta A Vênus da Lapa, 2006; no Edital do BNDES, em 2008, com o roteiro de longa Poder Paralelo, de Roberto Farias.

Em 2015, Projetos seus foram contemplados nos editais de cultura do Estado do Espírito Santos e do Estado de Goiás. Durante dez anos (2006/2016 foi Professor de Produção Teatral da Tradicional e centenária Escola de Teatro Martins Pena, no Rio de Janeiro. O cineasta pretende estrear na direção de um longa metragem em 2017, com o filme À Procura de Palmares.

 

 

 

 

 

 


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