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Ativista negra se declara inocente e acusa justiça seletiva
04/11/2016
Único negro eleito em SP, Holiday revela que é analfabeto político
Da Redação

S. Paulo – Único negro eleito em S. Paulo, capital, para a Câmara de Vereadores, com quase 50 mil votos pelo Partido Democratas (DEM), o vereador Fernando Holiday, 20 anos, revela que é ignorante em história e analfabeto político ao pretender transformar o mandato de 4 anos em instrumento dos que combatem as cotas e as ações afirmativas e se opõem às políticas públicas favoráveis à população negra.

Holiday, que ganhou notoriedade no movimento pró-impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, e passou a ser um dos líderes do Movimento Brasil Livre (MBL), de tendência conservadora e pró-mercado, reúne, por ironia, todos os estereótipos dos discriminados no Brasil  - é gay, pobre, nordestino e nasceu na periferia de S. Paulo.

Com uma agenda declaradamente regressiva, ao invés de combater o racismo – um dos elementos estruturantes da desigualdade social brasileira, - ele diz pretender “combater o vitimismo” porque entende que “todos, independente de cor de pele, podem alcançar o sucesso sem precisar de migalhas do Estado para isso”.

Ignora que o Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravidão e que as sequelas desse período permanecem vivas na realidade brasileira, segundo registram todos os livros de história e reconhecem todos os historiadores, independente de tendências políticas, partidárias e ou ideológicas.

Na contramão

Contraditóriamente, Holiday fez a campanha do novo prefeito paulistano, João Dória, pelo PSDB, porém, também parece ignorar que a política de ações afirmativas no Brasil ganhou impulso justamente no Governo Fernando Henrique – o primeiro presidente a reconhecer, em 1.995, que o Brasil é um país racista.

Foi no Governo de FHC que começaram a ser adotadas as medidas que seriam aprofundadas nos Governos do PT, como, por exemplo, a Lei de Cotas – Lei 12.990/2014.

Na contramão, Holiday diz querer acabar com as cotas raciais em concursos públicos municipais que existem no município de S. Paulo, desde a Lei 15.939, de 2013, sancionada pelo prefeito Fernando Haddad, do PT.

A Lei de cotas para negros e indígenas no acesso ao serviço público também foi adotada pelo Governador Geraldo Alckmin, do PSDB, no âmbito do Estado, ao sancionar o Projeto de Lei Complementar 58/2013, o que demonstra que se trata de uma bandeira que está acima dos partidos.

Ignora a história 

Não satisfeito, o novo vereador paulistano, quer revogar o Dia da Consciência Negra, em S. Paulo, criado pela Lei Municipal 13,707/2004, sancionada pela ex-prefeita Marta Suplcy, atualmente senadora do PMDB, mas à época prefeita do PT.

Holiday considera “um absurdo que exista uma data como esta, e que acima de tudo, homenageie um homem assassino escravagista”, demonstrando que ignora ou faltou as aulas de história.

Zumbi dos Palmares é um personagem lendário, que chefiou o Quilombo dos Palmares – o maior Quilombo das Américas - e seu nome está imortalizado no Livro dos Heróis da Pátria, depositado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves – Lei 11.597 de 29 de novembro de 2007. A luta de Palmares demorou quase 100 anos e é lembrada como símbolo de resistência ao modelo colonial escravista.

O Livro dos Heróis “destina-se ao registro perpétuo do nome dos brasileiros ou de grupos de brasileiros que tenham oferecido a vida à Pátria, para sua defesa e construção, com excepcional dedicação e heroísmo”. Zumbi é o segundo nome inscrito, depois de Tiradentes.


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