20 de Fevereiro de 2017 |
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28/12/2016
São Gabriel (AM) tem quatro idiomas oficiais e prefeito indígena
Da Redação, com informações de André Carvalho, do Portal UOL

São Gabriel da Cachoeira/AM – Há no Brasil uma cidade que fala três idiomas oficiais, além do português – o nheengatu, o tucano e o baníwa -, é governada por um prefeito indígena, mais conhecido por Clóvis Curubão (Clóvis Moreira Saldanha, de 44 anos) e contará com uma bancada majoritariamente indígena – sete dos treze vereadores eleitos em 02 de outubro, com posse marcada para este domingo 1º de janeiro.

Trata-se de S. Gabriel da Cachoeira, cidade amazonense que fica na fronteira com a Venezuela, que tem 92% do seu território classificado como terras indígenas e 76,6% da população autodeclarada indígena de 23 nações. O nheengatu é a língua geral falada no período da colonização e mistura expressões do português arcaico com línguas indígenas.

Curubão, o novo prefeito é tariano (os tarianos habitam o noroeste do Estado do Amazonas) escapou ileso da avalanche política que varreu o PT do mapa eleitoral do país este ano. Nas eleições de outubro, 28 indígenas disputaram prefeituras , e cinco se elegeram. Para o Legislativo dos 1.531 candidatos, 167 se elegeram, de acordo com o levantamento do Tribunal Superior Eleitoral.

Além de São Gabriel, no Amazonas, as cidades de Marcação (PB), Marechal Thaumaturgo (AC), Tacaratu (PE), Lajedo (PE), serão governadas por indígenas. O prefeito eleito Zé Martins (PMDB), da cidade de Jacundá (PA), rejeitou a condição de indígena, apontada no mapeamento do TSE: “Não tenho nada a ver com índio, foi um erro de registro”, disse ao repórter André Carvalho, do Portal Uol.

As cidades que contarão com mandatários indígenas a partir de 2017, além de São Gabriel da Cachoeira (AM), são: Marcação (PB), com a potiguara Lili (PDT); Marechal Thaumaturgo (AC), com o ashaninka Isaac Piyãko (PMDB); Tacaratu (PE), com o pankararu Gerson (PSB); e Lajedo (PE), com o xucuru Rossine (PSD). A sexta cidade seria Jacundá (PA), mas o prefeito eleito Zé Martins (PMDB), ao contrário do que aponta seu registro no TSE, refutou à reportagem do UOL ter ascendência indígena. "Não tenho nada a ver com índio, foi um erro de registro", afirmou.

Os indígenas também elegeram  vereadores em 107 municípios. No caso de São Gabriel (AM) e Marcação (PB), além dos prefeitos indígenas terão expressivas bancadas de vereadores no Legislativo municipal. Essas bancadas estão divididas pelos seguintes partidos: PT, 19 vereadores, PMDB, 17 e PSDB, 13.

(Na foto ao lado, o prefeito de Lajedo (PE), Rossini, indígena da nação Xucuru).

São Gabriel da Cachoeira, banhada pelo Rio Negro, é a terceira maior cidade em extensão territorial no Brasl – 10.974.380 hectares, superior a soma das áreas do Rio de Janeiro, alagoas, Sergipe e Distrito Federal juntas.

Em seu território tem sete diferentes terras indígenas: Alto Rio Negro, Balaio, Cué Cué/Marabitanas, Médio Rio Negro 1, Médio Rio Negro 2, Rio Téa e Yanomâmi.

Clóvis Curubão (foto abaixo), que é comerciante na cidade,  se elegeu com 4.649 votos, ou 30,19% dos votos válidos. À frente da Prefeitura terá a primeira experiência administrativa.

Ele vai suceder Rene Coimbra, um ex-funcionário da Fundação Naconal do Índio, que ficou com 6,9% das eleições municipais, do PCdoB, cuja administração foi marcada por acusações de corrupção. Segundo ele, sua eleição representou “um recado explícito da necessidade de mudanças na forma de fazer política neste município mais indígena do Brasil”.

De acordo com o Censo de 2010 do IBGE, a população indígena no Brasil é de 896.917 pessoas, o que corresponde aproximadamente a 0,47% da população total do país.

Em todo o território nacional, existem, segundo a Funai (Fundação Nacional do Índio), 588 terras indígenas.

Proporcionalmente, o número de prefeitos e vereadores indígenas eleitos no último pleito é ainda menor: 0,08% entre os prefeitos e 0,28% entre os vereadores.


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