22 de Março de 2017 |
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13/01/2017
Ativistas brasileiros fazem balanço positivo da era Barack Obama
Da Redação, com informações de Patrícia Moribe, da Rádio França Internacional

S. Paulo – O legado do presidente dos EUA, Barack Obama, o primeiro presidente negro a chegar à Casa Branca, que deixa o cargo no próximo dia 20/01, foi o tema da matéria assinada pela jornalista Patrícia Moribe, para a Rádio França Internacional-Brasil.

De Paris, a jornalista entrevistou o advogado e editor de Afropress, Dojival Vieira, o correspondente da Agência, em Nova York, Edson Cadette, e o professor e pesquisador de História da Universidade Federal do Paraná, Carlos Alberto Medeiros Lima. Leia matéria na íntegra: http://br.rfi.fr/americas/20170113-obama-nao-teria-como-mudar-questao-racial-em-oito-anos-dizem-especialistas

Legado positivo

Para o editor de Afropress, a eleição de Obama e seus dois mandatos, foram e continuarão sendo uma inspiração para todos os negros do mundo. “É verdade que os oito anos de seu governo não mudaram, ao contrário, explicitaram os conflitos raciais nos EUA. Mas, até isso é positivo, porque logo depois de sua eleição, começou-se a falar de que iniciava-se uma era pós-racial e o que se viu, foi exatamente o contrário: ficou evidente que também nos EUA, o racismo é um elemento estruturante da desigualdade social e está no centro de questões que dizem respeito à democracia nos termos em que entendemos democracia. Os conflitos e as mortes motivadas por conflitos raciais nos EUA se agudizaram no governo Obama, mas até isso é também importante porque ficou evidente que não adianta mascarar uma questão que está no centro desse debate”, afirmou.

O jornalista, contudo, faz uma distinção entre o legado do primeiro presidente negro nos EUA e o sistema de poder norte-americano. “Os EUA, como principal potência militar do planeta, evidentemente não se tornaram menos imperialistas no governo Obama, mas isso também é importante para situar o debate. Alguém esperava que em oito anos de governo se mudasse o perfil dos EUA como nação imperialista no mundo? Quem esperava isso, ou não conhece a natureza do imperialismo; ou tinha demasiadas ilusões, portanto, tinha uma visão extremamente fora da realidade”, acrescentou.

Fora de série

Por sua vez, Edson Cadette, correspondente de Afropress em Nova York, que vive nos EUA há 25 anos e participou das campanhas democratas em 2008 e 2012, salientou que Obama é um “fora de série, eloquente, tem um cabedal de conhecimentos muito grande. Só isso já faz o diferencial”.

Cadette explica que Obama chegou, inclusive, como um forasteiro para os negros dos EUA, pois seu pai era africano e a mãe, branca. Além disso, o presidente nasceu no Havaí e passou alguns anos na Indonésia. “Ele não tem o ‘background’ de ter crescido, de ter sido socializado na comunidade afroamericana”. Mas o fato de ser negro nunca foi contestado, lembra o jornalista. “Ele mergulhou a fundo na história, leu teóricos como Malcolm X, Alec Baldwin, e fez trabalhos comunitários, casou-se com uma negra”, cita.

“Por outro lado, houve uma certa frustração de uma pequena parte da comunidade, eu diria a classe operária, mais pobre, que tinha a esperança de que ele fosse mudar a situação do problema racial”, pondera Cadette. “É um problema enraizado na psiquê da sociedade americana, baseada na dicotomia negro-branco. Seria esperar muito que isso fosse resolvido de uma hora para outra”.

“Acho que o relacionamento entre brancos e negros melhorou muito”, diz o ativista, apesar de incidentes fatais envolvendo negros. “É preciso levar em conta que o país é regrado por leis e normas, por um congresso. Barack Obama não é um ditador, ele segue as regras do jogo. Esperar uma mudança radical do comportamento americano é um absurdo, isso não vai acontecer”, acrescentou.

Situação dos negros

Já para o pesquisador e professor de História da Universidade Federal do Paraná, Carlos Alberto Medeiros Lima, “a situação dos negros não poderia ser muito afetada apenas por um governo. Negativamente, sim, mas positivamente é difícil”.

Segundo ele as relações de trabalho e salário dos negros melhoraram nos EUA em momentos em que isso era mais propício para a população em geral, como nos anos 1940 e final dos anos 1960. “No momento em que os salários melhoravam, os processos políticos desencadeados pelos negros conseguiam fazer com que diminuísse um pouco a diferença salarial e o fosso entre os ganhos de trabalhadores negros e brancos”.

Medeiros lembrou que o primeiro governo Obama se iniciou na sequência de uma profunda crise em andamento, que aumenta a desigualdade e cria condições muito difíceis para a população em geral.


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