23 de Agosto de 2017 |
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17/01/2017
A despedida de um estadista
Eunice Tomé

É jornalista, com mestrado na USP, na área de Comunicação; É também escritora e blogueira.

De discursos e retóricas estamos cheios e sabemos bem que se constituem em armadilhas ao público a quem eles se dirigem. Em tempos de troca de poder nos Estados Unidos, tivemos o prazer de acompanhar o discurso de despedida do 44° presidente desse país, que lá governa por 8 anos.

Aliás, discurso de saída é muito mais difícil de querer enganar o povo, pois as realizações boas ou más ficaram concretizadas. É apenas uma questão de reafirmar as propostas que foram feitas no início e compará-las com o presente. E parece que o arremate de sua fala - "Sim, nós fizemos" - teve todo sentido.

Barack Obama, embora passe o cargo no dia 20 agora, proferiu seu adeus no dia 10, sendo posterior ao da primeira dama, Michelle Obama, feito dois dias antes do dele. Ambos comungaram da mesma postura, de simplicidade e humildade, de compromisso com seus ideais e, à frente da nação, com honradez e honestidade. 

Em dois mandatos, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos tirou o país da recessão, abriu o mercado com novas possibilidades de emprego, reatou laços com outras nações, despertou a admiração dos jovens e melhorou a imagem americana ante o mundo. Não fez tudo o que prometeu e queria, como acabar com a desigualdade, cessar a guerra na Síria e efetuar a reforma imigratória.

E disse que, apesar de tudo isso, a democracia está ameaçada e que, para funcionar é preciso de um senso básico de solidariedade, convocando todos os cidadãos a esse despertar.

Por ser um homem jovem, atual e aberto ao novo mundo, passou a ser considerado pelos mais jovens como um pop star. Na última semana, em entrevistas e comentários a jornais, ele revelou seu lado de leitor e da importância que as leituras tiveram nesse período como mandatário da nação mais forte do mundo. Seus autores, conforme revelou, são os que o inspiraram ao longo de sua carreira, como Abraham Lincoln, Martin Luther King Jr., Gandhi e Nelson Mandela.

Disse, ainda, que em algumas ocasiões levantava-se à noite para consultar o que disse Lincoln em um discurso proferido em 1863, que é um verdadeiro ensinamento.

E concluiu: "se essas leituras me fizeram um presidente melhor, não sei dizer. Mas o que posso dizer é que me ajudaram a conservar o equilíbrio ao longo de oito anos, porque este é um lugar onde as coisas se sucedem rapidamente, sem parar e sem descanso". 

Pelo seu carisma e sua atuação, ele sai, mas não vai desaparecer da cena. Muito ainda se falará dele, principalmente quando os comparativos com o seu substituto começarem.


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