20 de Fevereiro de 2017 |
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23/01/2017
Com Sisu, presença negra na USP aumenta 376% este ano
Da Redação, com informações de Ana Carolina Moreno, do G1

S. Paulo – No segundo ano de adesão ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu), cujas inscrições começam nesta terça-feira (24/01), a Universidade de S. Paulo (USP), a principal do país e da América Latina, começa a perder o título que mantém há anos: a de ser o principal bastião de resistência à presença de negros nos seus cursos.

Depois da decisão do Conselho Universitário (CO) de permitir a cada faculdade, escola ou instituto a decisão de participar do Sisu, com quantas vagas e de que forma, entre 2016 e 2017, as vagas aumentaram 57%. No mesmo período a presença negra cresceu 376%. Em S. Paulo, 34,7% da população se autodeclara preta, parda e ou indígena, de acordo com o Censo do IBGE 2010.

Das 8.734 vagas disputadas este ano, 2.338, 586 foram reservadas para estudantes pretos, pardos e indígenas. Outras 597 se destinam a ampla concorrência e 1.155 serão reservados a escola pública.

Cara de Brasil

Segundo críticos da postura anti-cotas da USP ouvidos por Afropress, a decisão da USP "vai fazer com que a Cidade Universitária da USP passe a ter mais cara de Brasil". "Hoje, se algum desavisado entra lá, tem a nítida impressão de que está em algum país da Europa ou nos EUA, porque o perfil sócio-econômico e étnicorracial dos seus estudantes tem pouco a ver com o Brasil", disse um desses críticos.

No ano passado, quase metade das vagas da USP no Sisu ficaram vazias e foram preenchidas por candidatos aprovados no Vestibular da Fuvest.

A cota para pretos, pardos e indígenas, no primeiro ano, foi adotada em apenas 13 de mais de 140 cursos de graduação. As vagas reservadas – 123 – representaram apenas 1,1% do total de calouros matriculados pela Universidade em 2016.

As cotas foram adotadas em apenas quatro unidades: Escola de Artes e Ciências Humanas, na USP Leste, a Faculdade de Saúde Pública, nas Clínicas e os institutos de Psicologia e de Relações Internacionais, na Cidade Universitária.

Este ano, porém, o quadro mudou: o número de cursos com pelo menos uma vaga reservada para alunos pretos, pardos ou indígenas saltou para 50.

Resistência elitista

Apesar do aumento da participação de negros, alguns cursos – os de maior prestígio – como Medicina continua fora do SISU. A Faculdade de Medicina da USP, disse que criou um Grupo de trabalho para analisar a participação de universidades estaduais e federais da área da saúde que aderiram ao SISU” e que a adesão ao Sistema será discutida pela Comissão de Graução da Faculdade de Medicina após a conclusão da análise”.

Os outros três cursos da FM – fisioterapia, fotoaudiologia e terapia ocupacional =- também escolherão calouros só pela Fuvest.  Também o Instituto de Física e a Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) também deixaram todos os seus cursos exclusivamente no vestibular tradicional. Na Escola de Comunicações e Artes (ECA) e na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), só ficaram fora do Sisu os cursos que têm provas de habilidades específicas, como artes cênicas, audiovisual e música. m.

Entre os 121 cursos que entraram no Sisu, a média de vagas separadas para os estudantes que fizeram o Enem é de 22,3%. O curso que tem a maior porcentagem de vagas é editoração na ECA: das 15 vagas disponíveis, cinco vão ser oferecidas pelo Sisu na próxima semana, oq ue representa 33,3% do total. Os cursos de engenharia de alimentos em Pirassununga, matemática aplicada e computação científica em São Carlos e arquitetura e urbanismo em São Carlos terão entre 31% e 32% do total de vagas no sistema do MEC.


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