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01/03/2017
Adolescente negro morre após agressão na rede Habib's
Da Redação, com informações da Folha de S. Paulo

S. Paulo – Mais um adolescente – João Victor Souza de Carvalho, de 13 anos, negro e filho de um catador de papel – foi alvo e vítima da truculência e da brutalidade de seguranças da Rede Habib’s, da Vila Nova Cachoeirinha, Zona Norte de S. Paulo.

Segundo testemunhas, depois de ser enxotado aos gritos das proximidades da lanchonete onde pedia moedas o menino, que ganhava alguns trocados fazendo malabares nas ruas para ajudar os pais, foi agredido com um soco por dois seguranças, e teria sofrido uma parada cardíaca, morrendo no local, sem tempo de ser socorrido.

Ativistas do movimento negro paulistano se articulam nas redes sociais para realizar uma manifestação de protesto em frente a rede de lanchonetes e pedir a apuração rigorosa do caso.

Versão da empresa

No 13º Distrito Policial, da Casa Verde, onde o caso foi registrado, funcionários contaram a versão padrão, em que o adolescente é responsabilizado pela própria morte: segundo esses funcionários, João Victor estaria alterado e teria sido apenas repreendido, vindo a sofrer um mal súbito logo depois.

O laudo do Serviço Funerário exibido pela família dá como causa da morte “infarto do miocárdio”, porém, não esclarece a relação entre o infarto e a violência sofrida pela criança. O Boletim de Ocorrência tenta desmentir a denúncia de agressão feita pela família, ao registrar que não havia marcas de violência no corpo. Segundo a família e testemunhas João Vitor teria sofrido pelo menos um soco no rosto.

O pai do garoto, o catador de papel, Marcelo Fernandes de Carvalho, 43, disse que o menino tinha uma marca roxa do lado direito do rosto. “Tudo o que eu quero é saber o que aconteceu com o meu flho. É horrível ficar nessa angústia. Ele era um bom garoto, sempre me ajudava comprando algum alimento”, afirmou.

A prima de João Vitor Alini Cardoso, 26, disse que a inexistência de marcas no corpo do garoto não pôde ser comprovada porque, no velório, o caixão estava lacrado, e só era possível ver o rosto por um vidro, e no reconhecimento, o corpo estava vestido.

Nota à imprensa

Preocupada com a repercussão do caso na mídia, a rede Habib's, por meio de sua assessoria de imprensa, garantiu que está apurando os fatos da "lamentável ocorrência", mas corroborou a versão que culpa a vítima ao informar que a PM teria sido acionada após a conduta "incontrolável" de João Vitor e que o resgate foi chamado. Adiantou que vai cooperar com as investigações.


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