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08/03/2017
Ativistas lançam campanha "Justiça por João Victor" e boicote a rede Habib's
Da Redação

S. Paulo – Ativistas do movimento negro e antirracista de S. Paulo lançaram campanha "Justiça por João Victor" e de boicote à rede de lanchonetes Habib’s, onde no último dia 26 de março, o menino João Victor Souza de Carvalho, de 13 anos, morreu depois de ser perseguido e agredido por seguranças da loja na Vila Nova Cachoeirinha. O caso está sendo apurado pelo 13º DP da Casa Verde.

Laudo do Instituto Médico Legal (IML), divulgado ontem (07/03) aponta como causa da morte, infarto provocado por ingestão de drogas. Testemunhas garantem ter presenciado a agressão de seguranças e a perseguição. O laudo é rechaçado pela família.

Política inaceitável, imoral e criminosa

A professora Jacqueline Sinhoretto, da Universidade Federal de S. Carlos (foto abaixo), que estuda a violência policial contra negros, denunciou, nas redes sociais, que a versão apresentada divulgada pela empresa e reforçada pelo laudo, “busca desresponsabilizar a empresa por sua política de segurança empresarial, inaceitável, imoral e criminosa”.

“Bastou um soco do segurança do Habib’s para matar o menino João Victor, que pedia esmola. Imagina como seu corpo estava vulnerável. O laudo disse que foi um infarto provocado por uso de drogas que matou o menino. Não basta matá-lo. É preciso ocultar a violência que o matou”, afirmou.

Ela lembrou o caso do garoto Joilson, ocorrido há alguns anos, que também foi morto por um soco no centro de S. Paulo, dado por um procurador do Estado, por ter roubado uma correntinha. “No processo – lembrou – a defesa do procurador argumentou que ele era muito franzino de tanto cheirar cola (naquela época era isso que os "bandidos" faziam) e que bastou tocá-lo para ele morrer. Permanências na nossa estruturação social perversa e violenta”, concluiu.

Casos recorrentes

Os episódios de violência envolvendo crianças negras praticada por seguranças de grandes empresas tem sido recorrentes. Em janeiro de 2011, o garoto Thyverson, na época com 10 anos, e outros dois adolescentes, respectivamente, com 12 e 13 anos, foram levados por três seguranças do Hipermercado Extra, a uma sala reservada, onde, segundo contaria depois, foi chamado de “negrinho sujo e fedido” e obrigado a tirar a roupa. Seus dois colegas receberam, além dos xingamentos, chutes e tapas. Eles não haviam furtado nada, conforme reconheceu o hipermercado.

O Grupo Pão de Açúcar, proprietário da marca Extra, negou que seus funcionários tenham tido motivação racista, porém, indenizou a família do garoto civelmente.

O inquérito policial, que tramitou no 10º DP da Penha, porém, não resultou no indiciamento de nenhum dos acusados que foram reconhecidos pelo garoto e o caso permanece impune.


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