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19/04/2017
Fala de ministra de Temer constrange e envergonha negros
Da Redação

S. Paulo – As declarações da ministra dos Direitos Humanos, desembargadora Luislinda Valois, a única negra no primeiro escalão do Governo, em que nomeia o presidente Michel Temer, “padrinho das mulheres negras brasileiras”, continua repercutindo mal, não apenas entre os negros ligados ao PT e ao PC do B, mas até mesmo entre ativistas filiados ao partido da ministra – o PSDB.

Ontem (18/04), por exemplo, a ministra foi desautorizada pela deputada Leci Brandão, do PCdoB, que subiu a tribuna da Assembléia Legislativa de S. Paulo para recomendar a Luislinda que fale apenas em seu próprio nome.

“A senhora pode se sentir apadrinhada por Michel Temer, mas fale apenas em seu próprio nome. De forma alguma a senhora pode falar em nome das mulheres negras deste país. O Governo do presidente em questão não nos representa e simboliza tudo aquilo que é contrário à nossa luta. Nossos passos vem de longe”, afirmou.

Vergonha

O discurso da ministra vem sendo rechaçado por entidades de vários Estados do país, para quem suas palavras foram "mais que constrangedoras, foram vexatórias”. Em ato em prol das mulheres, no Palácio, no mês passado, Luislinda, que se apresenta como a primeira juíza negra do país, se disse portadora de "uma mensagem da mulher negra mãe e avó”. “Elas me pediram para lhe dizer que o senhor, a partir de hoje, terá a denominação de padrinho das mulheres negras brasileiras”.

Num tom emocional, e com voz visivelmente embargada, a ministra – que é filiada ao PSDB e foi derrotada nas eleições de 2014, quando disputou uma vaga para deputada federal pela legenda – contou a plateia que quando recebeu o convite de Temer para assumir o cargo de ministra foi aos prantos.

“Não é habitual neste país, se ter a coragem que Vossa Excelência teve e continua tendo. Porque eu sou preta, pobre, da periferia, candomblecista, divorciada e sem padrinho antigamente porque hoje eu tenho o apadrinhamento de vossa excelência para me trazer para ocupar um cargo dessa envergadura. Nós mulheres precisamos muito do senhor, lhe peço, fique conosco, nos dê apoio a todas as mulheres. Precisamos das suas ações e do seu coração grandioso e da sua caneta que decide, com galhardia, com prazer e com carinho”, acrescentou para um Temer visivelmente constrangido.

Confira: https://www.youtube.com/watch?v=g7oZq5WdkYo

Segundo um militante do movimento negro ligado ao PSDB, a ministra “expôs toda a militância negra, partidária ou não, a uma situação de constrangimento e de vergonha.”

“Se ela se sente apadrinhada pelo presidente, porque acha que não merece ocupar o cargo de ministra, que fale por si, não se faça porta-voz das mulheres negras que representam a maioria da população brasileira e que não se sentem, nem representadas, nem confortáveis com o espetáculo de bajulação explícita a que gratuitamente se expôs”, afirmou um ativista que preferiu não se identificar.

 

 


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