24 de Setembro de 2017 |
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15/04/2017
Paulo Brown, o dj que faz a ponte entre S. Paulo e Nova York
Edson Cadette, correspondente de Afropress em Nova York

Nova York/EUA - O locutor/dj/mc/jornalista Paulo Brown é  um profundo conhecedor das cenas musical brasileira e norte-americana.  Com mais de 30 anos de experiência tocando nas mais badaladas casas noturnas de São Paulo entre as quais, Skulacho, Playboy, Kakarecos’s, Zimbabwe, e mais recentemente Akbar, mudou para Nova York no final de 2016. Ele se autodefine como um paulistano que foi levado pela música até a cidade da Philadelphia, mas acabou estacionando sua máquina musical em Nova York.

Criador do programa “Grooving”que vai ao ar todos os domingos a partir das 18 horas, horário de Brasilia pela internet no endereço www.radionacaozulu.com ele concedeu entrevista ao ao correspondente de Afropress, em Nova York, Edson Cadette sobre a mudança de país e as influências musicais que marcaram sua carreira e o gênero musical que mais o influenciou.

Afropress: Você chegou há pouco mais de três meses em Nova York. Ja deu para sentir a pulsação cultural  da cidade? O que mais o surpreendeu?

Paulo Brown: Realmente. A pulsação da cidade é enorme. A cidade respira música, arte e cultura o tempo todo. É impressionante como você descobre a música andando pela ruas da cidade. Mas não é somente aqui em Nova York. Estava outro dia na rua “Market” na cidade de “Newark”, em Nova Jersey, e de repente ouvi a música “Float on” com os “Floaters”. A música saindo de uma loja ao lado de um restaurante no centro da cidade e tocando bem alta.

Esta música me fez viajar no tempo e pensei comigo mesmo a cidade é muito musical. Acabei conhecendo ali uma loja de música chamada “Memories of Soul”, de propriedade de John Mabley. Ele notou o meu conhecimento musical e me indicou para visitar a rádio WGBO, dedicada a Jazz e Blues. Isto me chamou muito a atenção em “Newark”. Nova York, então, nem precisamos falar. Aqui é uma pancada atrás da outra. Você anda pela rua 125 no coração do Harlem e em outras ruas e acaba descobrindo os segredos culturais da cidade. O que me surpreendeu muito são as figuras  extravagantes andando pelas ruas, inclusive, algumas delas me lembrando o George Clinton da banda “Parliament Funkadelic”.

Afropress: Você sempre esteve envolvido com o que há de melhor tanto na música brasileira como a norte-americana nas últimas quatro décadas. Qual é o seu gênero musical favorito e por que?

PB: Meu gênero musical favorito é a Disco Music. Cresci em São Paulo ouvindo a rádio Difusora e a Excelsior que tocavam muita Disco Music e muita “black music”. Mas tudo isso na linha Disco influenciada pelo som da Philadelphia, uma música de alto astral e bastante dançante. Tudo isto acabou ficando no meu DNA. Estava com 12/13 anos de idade e minha mãe sempre ouviu música em casa. Quando a gente aprendeu a mexer no controle do rádio descobrimos diferentes estações, entre elas, a Difusora e a Excelsior tocando muita música Disco, especialmente, da Philadelphia. Meu gênero musical favorito é mesmo a Disco Music. Está no meu DNA. Este gênero musical está totalmente incorporado na cena cultural norte-americana.

Afropress: Por que no Brasil a música Rap continua sendo periférica?

PB: Porque falta elementos musicais. Mais rítmos, mais poesia, enfim, mais “Grooving” para suavizar a batida.

Afropress: Fale um pouco do seu programa “Grooving”. De onde surgiu a ideia do programa? E quais foram as influências musicais que mais marcaram sua carreira na noite paulistana?

PB: O “Grooving” foi criado em 1991 quando fui convidado pelo dj Camilo Rocha, o jornalista Carlos Eduardo Miranda, e o diretor de arte Richard Kovacs. Eles faziam parte da revista Bizz. Primeiro eles me convidaram para cobrir um show do “Racionais MC’s” na quadra da escola de samba Rosas de Ouro. Na época, eu ainda assinava Paulo de Souza. Vi o show e escrevi a matéria para a revista. Aí surgiu a ideia da revista Bizz fazer uma rádio na revista em 1991. Fui então convidado para ter meu próprio programa musical. Aí eu peguei 50 CDs em casa. Fui até o estúdio Atelier do meu amigo Vander na Bela Vista com Camilo Rocha e o Richard Kovacs para fazer um piloto do programa. Mas precisávamos de um nome para o programa. Aí fiquei pensando num nome.

Então lembrei do famoso filme “Car-Wash”. Neste filme há um locutor que costura o filme do começo até o final com informações, música, brincadeiras e brindes. E este locutor que se chamava J. J. Jackson dava a sensação de você estar no meio do filme curtindo todo aqueles balanços musicais sendo tocado. Curtindo o “Grooving”musical, ou viajando naquela onda musical do filme. Você entrando naquela história do filme. Isto me deu a ideia do nome para o programa. Aí me perguntaram por que “Grooving”? Porque dava essa sensação maravilhosa de você viajar na música, e “Grooving” é o molho da música. E somente quem tem o ouvido apurado percebe que a música tem o “Grooving”. Toda música tem o “Grooving”. Para mim o “Grooving” vem de toda esta riqueza da música que é o molho, o tempero etc. Foi mais ou menos assim.

Afropress: Qual o conselho que você daria a um jovem que gostaria de seguir na carreira que o tornou respeitado no Brasil?

PB: Seja ousado. É a única palavra que eu posso dizer. Sendo ousado você sempre vai descobrir novas batidas. Novos rítmos e tambem novos sons.

Afropress: Faça as considerações que achar pertinentes.

PB: Sempre ouvi rádio. Graças a Deus sou do tempo que havia comunicadores. É interessante as pessoas se interarem do que estão ouvindo e ouvir todos os tipos de ritmos musicais.

O programa Grooving vai ao ar todos os domingos às 18h.

Confira:www.radionacaozulu.com

 


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