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16/06/2017
Elisa quer ampliar diálogo entre a Policia Militar e os negros
Da Redação

S. Paulo – A  coordenadora de Políticas para as Populações Negra e Indígena do Governo do Estado, professora  Elisa Lucas Rodrigues, se propôs a defender e ampliar os canais de diálogo entre a sociedade civil, mais especificamente a população negra, e a Polícia Militar do Estado, durante o Seminário de Direitos Humanos, promovido pela corporação na semana passada.

“Este Seminário abre um novo canal de diálogo institucional de representantes do Governo e da  sociedade civil, com a Polícia Militar. Porém, não há como negar que a atuação da Polícia Militar com relação a população negra, em especial, a juventude, muito nos preocupa”, afirmou.

Estudo da Universidade Federal de S. Carlos (UFSCar), coordenado pela professora Jacqueline Sinhoretto, revela que o índice de negros mortos em decorrência de ações policiais a cada 100 mil habitantes em S. Paulo, é quase três vezes o registrado para a população branca e a taxa de prisões em flagrante de negros é duas vezes e meia a verificada para brancos.

De acordo com o estudo, feito pelo Grupo de Estudos sobre Violência e Administração de Conflitos da Universidade, 61% das vítimas da polícia no Estado são negra, 97% são homens e 77% têm entre 15 e 29 anos.  Os policiais envolvidos são, na imensa maioria, brancos (79%), e 96% pertence aos quadros da Polícia Militar.

O Seminário teve como tema “Polícia Militar e Defesa da Dignidade Humana e foi promovido pela Diretoria de Polícia Comunitária e de Direitos Humanos.

Elisa, porém, reconheceu e parabenizou o esforço da corporação para mudar esse quadro, no combate ao crime e na defesa dos Direitos Huumanos.

Por sua vez, a procuradora de Justiça de S. Paulo, Eliana Vendramini, da Coordenação do Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos, foi enfática ao rechaçar os estereótipos que atingem a população negra. “Precisamos, de uma vez por todas, eliminar o estereótipo de que os negros são todos bandidos, para não continuarmos a cometer os mesmos erros”, afirmou.

No final, o coronel Ernesto Puglio Neto, comentando a intervenção de Elisa, disse que a Polícia deve realizar as abordagens de forma que garanta a integridade física dos mesmos e de terceiros, “mas que isso não significa o não reconhecimento do outro.”

Reconheceu que a forma de abordagem precisa mudar e convidou a todos os comandantes a repassarem aos seus subordinados as lições do seminário “para que os policiais possam trabalhar mais próximos dos cidadãos e dessa forma a população possa confiar mais na polícia”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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