21 de Julho de 2018 |
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William Waack em entrevista a Revista Raça
16/07/2017
Advogado negro é barrado em casa noturna de Curitiba
Da Redação, com informações do Jornal Folha de S. Paulo e Agências

Curitiba/PR - O advogado Júlio Trevisan, 27 anos, negro, foi barrado numa casa noturna de Curitiba, o James Bar, no bairro Batel, por causa da roupa que vestia - uma camisa social preta e uma gravata da mesma cor -, porque, segundo o funcionário que o abordou, "parecia um segurança" e seria confundido no interior da casa. "Ele me olhou dos pés à cabeça e disse isso. Eu fiquei tão bobo que não tive reação", disse Trevisan.'

O advogado abandonou a casa, sem reclamar, e contou ao jornal Folha de S. Paulo que "a ficha só caiu" minutos depois. "É engraçado porque no início você se culpa. Pensei: poxa, poderia mesmo ter troccado de roupa. Aí que veio a noção do absurdo", acrescentou.

Quando chegou em casa, o advogado postou uma carta ao bar nas redes sociais. O gerente do James Bar se retratou, pediu desculpas pelo ocorrido e demitiu o funcionário. Em nota, o James Bar informou que foi “uma atitude arbitrária”. Isso “não condiz com o que acreditamos”, afirma o comunicado.

Júlio é do interior do Paraná e trabalha como diretor de marketing de uma escola. Também tem um canal no Youtube onde aborda o preconceito e o empoderamento negro. Com tatuagens, barbas e cabelo dreadlock,  assume seu estilo de se vestir como "excêntrico". "Infelizmente, a nossa sociedade é muito visual; está pouco preocupada com o que as pessoas têm a oferecer”, afirma.

Ele diz ter recebido mensagens de dezenas de pessoas que passaram por situações parecidas, “preconceito não é mimimi”. “Sempre que isso acontece, passa um filme na minha cabeça; e é isso que ninguém entende”, comenta, lembrando de outras situações de discriminação. “Tem gente que vira para mim e fala: foi só isso? Mas nunca é só isso”, acrescenta.

 


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