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16/08/2017
Conversa Literária em Nova York: Teatro negro brasileiro em perspectiva.
Edson Cadette é correspondente de Afropress em Nova York

Manhattan/Nova York - Sob o patrocínio da Biblioteca brasileira, em Nova York, Marcos Alexandre, professor, acadêmico e pesquisador do Teatro Negro no Brasil, foi um dos expositores na semana passada da Quarta Literária,  falando sobre os desafios do teatro no Brasil, e específicamente, em relação ao Teatro Negro.

Usando como referências o trabalho precursor do Teatro Experimental do Negro e também do grupo Olodum, de Salvador, Alexandre mostrou que o ativismo teatral presente em trabalhos mais contemporâneos tenta levar para os palcos as histórias da comunidade afro-brasiliera além da religiosidade.

Autor do livro “O Teatro Negro em Perspectiva: Dramaturgia e Cena no Brasil e em Cuba”, Marcos Alexandre falou com exclusividade à Afropress depois de sua apresentação para uma platéia seleta que lotou as dependências da biblioteca, em Manhattan.

Afropress: Qual a razão principal para sua visita aos EUA?

Marco Alexandre: Vim para fazer um pós-doutorado na Universidade de Nova York (NYU) no Instituto do Hemisfério de Atuação Política com a Eliana Taylor. O objetivo é dar continuidade a uma pesquisa que venho desenvolvendo há mais tempo em relação ao Teatro Negro, as produções negras que é o que tem me interessado. A ideia é buscar os lugares de representação do teatro negro realizado em Nova York.

Afropress: Por que esta sua luta em descobrir mais sobre o Teatro Negro brasileiro?

MA: Na verdade, há 22 anos faço parte de um grupo em Belo Horizonte chamado Miombe. Neste grupo trabalhamos com as questões relacionadas ao Teatro latino-americano. A questão do Teatro Negro é uma particularidade que me interessa enquanto pesquisador. Como pesquisador negro acho fundamental resgatar as enunciações dos sujeitos negros na Literatura. Como já tenho relação com o Teatro e também dou aula num curso de teatro da UFMG. A idéia é aliar o meu trabalho com a Literatura e com o Teatro, e por isso meu interesse sobre o Teatro Negro, sobre as produções do Teatro Negro, tanto na dramaturgia como na cena espetacular.

Afropress: Fale um pouco sobre a resistência da Academia no Brasil em ensinar sobre a literatura afro-brasileira porque os cânones continuam sendo ainda totalmente brancos.

MA: Infelizmente, ainda temos uma grande resistência, temos alguns professores que se dedicam ao ensino e a oferecer cursos com as  questões da textualidade afro-brasileiras, alguns chamam de textualidades negras tambem. Porém, é algo que vem sendo rompido a partir de trabalhos feitos por alguns grupos de pesquisas como, por exemplo, na Faculdade de Letras onde eu atuo, temos um grupo com o objetivo de fazer pesquisas voltadas as questões dos autores afro-brasileiros.

Buscamos com isso levar os autores e suas Literaturas em cursos, alguns optativos como na graduação e, mais especificamente, na pós -graduação nos nossos trabalhos de orientação, dissertaçoes e teses.

Afropress: Fale agora sobre este convite da BEA (Brazilian Endowment for the Arts) e sua apresentação em Nova York.

MA: Foi muito importante, primeiro porque é um Centro que se dedica a mostrar a cultura brasileira dentro dos EUA. Quando conheci a Lisa, a pessoa encarregada das Quartas Literárias, e o presidente Domício Coutinho, e o convite foi feito, fiquei bastante empolgado porque acredito ser bastante importante mostrar o trabalho que tenho feito nos últimos 10 anos sobre esta pesquisa relacionada ao Teatro Negro no Brasil, e o Teatro Negro realizado em Cuba. Como foi uma pesquisa que gerou produtos importantes, acredito ser importante divulgá-la em outros espaços porque sempre trabalhamos com as questões ideológicas sociais e acredito que, quanto mais a gente puder levar a nossa pesquisa para outros lugares de fala, é importante não somente para o reconhecimento do nosso trabalho, mas tambem para poder fazer um trabalho, que eu diria, até pedagógico de demonstrar a força do Teatro brasileiro e, mais especificamente, o Teatro Negro dentro do Brasil, assim como tambem da Literatura.

Afropress: Você mencionou na sua palestra sobre o seu livro recém publicado “O Teatro Negro em Perspectiva: Dramaturgia e Cena Negra no Brasil e em Cuba”. Fale um pouco sobre este trabalho.

MA: Como disse antes, o livro é o resultado de um projeto de pós- doutorado que fiz onde trabalhei em Santiago de Cuba, Havana e em Salvador. Em Cuba conheci dramaturgos muito importantes e um texto muito especial chamado Maria Antonia, do autor Eugenio Hernandez Espinoza. Fiquei muito impactado com o texto e quis traduzí-lo  para o português. Aí surgiu a ideia de escrever o livro trabalhando com o Teatro Negro em Cuba e, em princípio, em Salvador. Porém, com o tempo da pesquisa, resolvi expandir e trabalhar com a questão do Teatro Negro em Belo Horizonte, meu lugar de fala e onde tem acontecido no Brasil uma cena negra num momento muito potente. Então, trago tambem alguns grupos que tem trabalhado dentro das questões negras, no Brasil, e há uma parte também onde entrevisto intelectuais negros que falam de suas relações com a cultura negra.

Afropress: Em nome da Afropress e dos nossos leitores gostaria de agradecer a você imensamente por esta entrevista.

MA: Eu é que agradeço pela oportunidade.


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