22 de Outubro de 2017 |
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IV Conferência Regional de Igualdade Racial da Região Metropolitana da Baixada Santista
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21/09/2017
Experiência na delegação afro-brasileira na Conferência das Humanidades
Sandra Martins é jornalista, integrante da Cojira/Rio/SJMPRJ e mestra no PPGHC/UFRJ

A participação na delegação afro-brasileira na Conferência Mundial das Humanidades, da UNESCO, em Liège, na Bélgica, foi uma experiência rica e marcante por diversos aspectos. Primeiro, pelo espaço aberto para que intelectuais e ativistas negros/as com qualificação acadêmica expusessem suas visões sobre a questão racial no Brasil e articulações que possibilitaram conquistas. Segundo, pelo destaque a um dos temas da luta contra a intolerância religiosa, apresentada pelo Babalawô Ivanir dos Santos, na mesa Conhecimentos endógenos: tradicionais e humanidades, articulador e liderança do grupo.

E, por último, pelo estabelecimento de contatos com pensadores e ativistas de diversas procedências com atuação em diferentes continentes e universidades. Foram plantadas sementes para futuros intercâmbios, quer sejam acadêmicos, quer práticas sociais. Para se ter uma leve estimativa da repercussão midiática, estiveram presentes cerca de 1.800 intelectuais de 60 países com produção de conteúdo em tempo real.

As apresentações da delegação se deram na sessão paralela Afro-brasileiros no século 21: Ativismo, Ação Afirmativa e Novas Perspectivas de Inclusão Social, articulação produzida pelo professor Lazare Ki-Zerbo, conselheiro do CIPSH (Conselho Internacional de Filosofia e Ciências Sociais) da organização da Conferência, pelo Jacques d’Adesky (professor visitante da UFF) e Ivanir.

Na plateia, o presidente da Conferência Mundial das Humanidades, professor Adamá Samassékou, ex-presidente da ICPHS, e ex-ministro da Educação da República do Mali, entre outras autoridades que estiveram sessão dos intelectuais africanos.

Nesta sessão, apresentei uma narrativa sobre o Prêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento. Um concurso criado por jornalistas negras e negros da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial, órgão consultivo do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, que contou com o apoio da rede de comissões espraiada em várias entidades sindicais em todo o território nacional.

Este prêmio foi o somatório de aspirações seculares, cujo patrono se sindicalizara no então Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, em 1947, apresentando seu jornal – O Quilombo – órgão do Teatro Experimental do Negro (TEN), que fundara. Anos depois, em 2010, ele se torna realidade, como uma trilogia: fincado no presente que aponta perspectivas para o futuro de um jornalismo com vistas à consolidação de meios de comunicação plurais e igualitários.

O interesse despertado pelo conjunto das exposições na sessão paralela - Babalawô Ivanir dos Santos, Mariana Gino, Carlos Medeiros e Jacques d’Adesky - demonstrou que a delegação alcançou suas metas: promoção de diálogos, apresentação de pesquisas bem embasadas sob a perspectiva de negros e negras, dos “de baixo” lembrando o historiador Edward Thompson.

Ter uma delegação de intelectuais negros e negras com qualificação acadêmica cujos orientadores são da mesma cepa induz a um outro olhar sobre o grupo. Interessante que não fica óbvio, mas é perceptível, mesmo havendo a barreira do idioma se fazendo presente, assim como as raciais e culturais. Este é um aprendizado importantíssimo: precisamos estar lá, sempre, soltando nossa voz, mostrando nossas produções, sem mediações. Há muito a fazer. Em especial, formar outras delegações afro-brasileiras de ativistas com qualificação acadêmica.

Mais informações sobre a Conferência Mundial das Humanidades . Sobre a mesa dos intelectuais africanos . No facebook, podem ser acompanhadas as entrevistas feitas na Universidade de Liège, . Quanto a mesa dos intelectuais acadêmicos afro-brasileiros disponível no .


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