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22/10/2017
Seppir, sob Temer, mantém retórica dos governos petistas
Da Redação

S. Paulo – Quem entrar no site da nova SEPPIR (Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), terá uma surpresa: sob Temer – o Governo mais impopular da história da República – a Secretaria, que já teve status de ministério e agora está subordinada ao Ministério dos Direitos Humanos, mantém a mesma retórica do período dos governos petistas dos ex-presidentes Lula e Dilma.

O curioso é que, tanto a Secretaria, quanto o Ministério dos Direitos Humanos, a quem está subordinada, tem como dirigentes dois militantes do PSDB – a desembargadora Luislinda Valois, da Bahia, e o sindicalista fundador do tucanafro – a corrente de negros do PSDB -, Juvenal Araújo Júnior.

A desembargadora causou constrangimento público em abril deste ano, quando, em evento no Palácio do Planalto, resolveu agradecer a sua escolha para o Ministério chamando Temer de "padrinho das mulheres negras brasileiras", o que provocou forte reação do movimento de mulheres negras.

Mineiro de Governador Valadares, Araújo Júnior (à esquerda na foto ao lado) é do grupo do senador tucano Aécio Neves, que tenta salvar o mandato depois de apanhado nas delações da JBS, manteve o cronograma das Conferências de Promoção da Igualdade Racial – agora a IV CONAPIR. As Conferências foram espaços de participação dos movimentos sociais – inclusive o movimento negro - nos governos petistas. 

A IV edição está marcada para acontecer entre os dias 27 e 30 de maio de 2.018, em Brasília, com o tema "O Brasil na década dos afrodescendentes: reconhecimento, justiça, desenvolvimento e igualdade de direitos". Até o mês que vem deverão acontecer as Conferências Estaduais. Em setembro foram realizadas as Conferências Municipais e Metropolitanas.

Ainda não se sabe se será aberta por Temer e por uma única e boa razão: às voltas com denúncias de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o presidente se segura no cargo, às custas da compra de votos de parlamentares da sua base.

Na semana passada, Temer, por meio do seu ministro do Trabalho, baixou portaria – a de nº 1.129 - que adota novo conceito para trabalho escravo para obter os votos da bancada ruralista que ameaçava votar pela aceitação da segunda denúncia feita pela Procuradoria Geral da República.

Segundo o Ministério Público Federal do Trabalho (MPT), com a mudança cerca de 90% dos processos e investigações sobre trabalho escravo acompanhados pelo Ministério do Trabalho deixarão de ser classificadas como análogas à escravidão após a publicação.

Desconexão da realidade

Indiferente a mudança de Governo e as iniciativas de Temer, e sem tomar conhecimento das divergências do seu partido (uma parte dos tucanos quer a legenda fora do Governo) Araújo Júnior, mantém, o discurso em defesa da “promoção da igualdade racial” e mantém o radicalismo retórico.

No página da SEPPIR, ele explica que a IV CONAPIR tem como objetivo “o enfrentamento do racismo no Brasil”, e assinala que “o combate à discriminação por crença, gênero, raça e etnia têm obtido muitas conquistas, mas a violência racial ainda é uma realidade que a ameaça a democracia e a igualdade de direitos e oportunidades”.

Conceitos como “enfrentamento do racismo no Brasil”, além do uso insistente da palavra "combate" bem ao gosto do ativismo mais radical, fazem Araújo Júnior ecoar o discurso dos negros do PT e do PCdoB.

Mesmo fazendo parte de um Governo cujas políticas atingem os pobres – em especial a imensa maioria da população negra -, ele não esquece o seu passado sindical e afirma, sem constrangimentos que  “as políticas públicas voltadas para população negra e combate a discriminação racial são obrigação de todos os governos””.

 


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