20 de Novembro de 2017 |
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Nós somos a cara do Brasil
03/11/2017
Precisa-se de alguém para defender essa ministra. Dela própria.
Dojival Vieira

É advogado, editor e jornalista responsável pela Afropress

A ministra dos Direitos Humanos, desembargadora Luislinda Valois, da Bahia, resolveu inovar na situação de esculhambação geral da república presidida por Michel Temer, eleito graças ao dinheiro da corrupção na chapa Dilma/Temer, a verdadeira herança maldita do lulopetismo.

A ministra pretendeu ignorar o teto constitucional, segundo o qual, ocupantes de cargos públicos não podem receber mais que R$ 33,7 mil – o mesmo salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal. É o que estabelece a Constituição: nenhum servidor pode receber mais do que o subsídio dos ministros do Supremo.

Com a desfaçatez própria de quem não tem a menor noção do cargo que ocupa e da situação em que se encontra o país, (de acordo com a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio - PNAD, o rendimento médio domiciliar no país é de R$ 1.226), ela pediu para furar a regra do teto constitucional e poder acumular vencimentos, passando a receber R$ 61,4 mil por mês.

A matemática é a seguinte: como ex-desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia, Valois tem direito a uma aposentadoria de R$ 30,4 mil brutos. Como ministra dos Direitos Humanos tem salário de R$ 30,9 mil e mais todas as vantagens inerentes ao cargo, inclusive, jatinho da FAB, carro com motorista, cartão corporativo e imóvel funcional, entre outras.

Exagerando da paciência da imensa maioria da população brasileira e, em especial, da maioria que é negra e pobre e sobrevive com miseráveis salários insuficientes até para cobrir gastos com alimentação, a ministra, que é filiada ao PSDB baiano, subiu nas tamancas: “O Brasil está sendo justo comigo? Como é que eu vou comer? Como é que vou beber? Como é que vou calçar”, choramingou em entrevista a Rádio Gaúcha, de Porto Alegre.

À outra rádio, Valois foi além, ao dizer que precisa furar o teto para "andar trajada dignamente”. “É cabelo, é maquiagem, é perfume, é roupa, é sapato, é alimentação. Se eu não me alimentar, eu vou adoecer e aí vou dar trabalho para o Estado", disse. Chegou ao cúmulo do despropósito e do cinismo, ao comparar a sua situação como "trabalho escravo", caso não tivesse permissão para furar o teto.

No início deste ano, uma Luislinda Valois, entre emocionada e ameaçando fazer jorrar lágrimas nos tapetes vermelhos do Palácio, atribuiu a Temer o papel de “padrinho” das mulheres negras brasileiras. O próprio Temer, se não fosse a máscara de cera que senta-se na cadeira de Presidente da Republica para infortúnio e desgraça dos brasileiros, coraria de vergonha.

Mais recentemente, em entrevista ao correspondente de Afropress, em Nova York, a afoita ministra esquivou-se de responder como via a matança de jovens negros na periferia, alegando não dispor de dados. Detalhe: o próprio site da Seppir, secretaria a ela vinculada, trouxe reportagem dando conta de que, em 2016, morriam 2,6 vezes mais negros do que brancos.

Diante do festival de sandices e asneiras em série que saem em profusão da boca de uma ministra de Estado, alguns esboçaram defender Valois nas redes sociais, sempre na linha da vitimização, a forma mais desqualificada e infame de defesa.

Os argumentos beiram a indigência intelectual: um afirma não ser por acaso o "massacre" da ministra justo, no mês de novembro – mês da consciência negra. Outro, praticante da seita instruída para atacar o juiz Sérgio Moro, e defender os crimes e a corrupção do lulopetismo e do seu chefe, desmascarados pela Operação Lava-Jato, juntamente com a quadrilha de ladrões que governa o país, insinua que a crítica a ex-desembargadora é desproporcional.

Com tais defensores, só resta uma conclusão. Falta alguém para defender Luislinda Valois - mas é dela própria. E enquanto não aparecem mais defensores deste nível (não tardará a aparecer alguém dizendo que a ministra, por ser mulher e negra é, naturalmente, vítima, não importa o que faça ou o que diga), o melhor seria Valois fazer a única coisa que ainda lhe resta: ir embora.

Nos poupe de outros vexames, ministra: vá embora!


"Este artigo reflete as opiniões do autor e não do veículo. A Afropress não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizada pelas informações, conceitos ou opiniões do (a) autor (a) ou por eventuais prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso da informações contidas no artigo."
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