12 de Dezembro de 2017 |
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30/11/2017
Como encontrei a minha identidade
Michele Gonçalves

É aluna do Terceiro Ano B da Escola Estadual José da Costa/Cubatão

Cabelo de bombril, macumbeira, cabelo de corda, cabelo de vassoura velha, entre outros. Isso lhe parece familiar, normal? Quantos de nós passam e ou já passaram e ou vão continuar passando por isso? Pense o que significa uma criança no auge da sua infância vivenciar isto na pele, diáriamente, no seu dia a dia; sem condições de se defender, nem saber porque está ofendida, sem empoderamento, sem conhecimento.

É como se alguém colocasse nela uma viseira nela impedindo-a de olhar para os lados, olhar para trás fazendo com que se perdesse de tudo aquilo que lhe foi ensinado, obrigando-a a enxergar apenas o que conteúdo da caixinha que lhe foi imposta, e criando-lhe a falsa compreensão de que só poderia ser bonita, feliz e aceita aceitando essa falsa compreensão. Foi essa a experiência que vivi nos primeiros anos da minha vida, ainda muito criança. 

Quando nada mais parecia fazer sentido me deparei com um vídeo de uma garotinha que me inspirou e me fez questionar o de todos aqueles procedimentos como eu poderia ser feliz assim me escondendo atrás de uma fantasia.

Daí percebi que era hora de parar; hora de me libertar de me encontrar e de me conhecer e deixei de me submeter ao procedimento químico, a chapinha que é o recurso de toda menina negra para se enquadrar no único padrão de beleza dominante: pele branca, olhos azuis e ou verdes e cabelos lisos. A última vez que isso aconteceu no dia 03 de dezembro, dia da minha formatura no ensino fundamental, há cerca de quatro anos.

Posteriormente, no dia dia 26 de junho de 2015, realizei meu sonho e me libertei da "chapinha". Foi libertador me olhar no espelho como se estivesse me vendo pela primeira vez; foi o dia que me vi como realmente sou; o dia que tive a sensação de libertação que pude perceber como maravilhoso alguém se olhar no espelho e se reconhecer.

NOTA DA REDAÇÃO

Michele Gonçalves tem 17 anos, cursa o 3º Ano B (Ensino Médio) da Escola José da Costa, no Jardim 31  de Março em Cubatão, e participou das atividades que celebraram o 20 de novembro deste ano - Dia da Consciência Negra -, promovidas na Escola pela classe da professora de Geografia, Lourinete Morais, que incluíram, além de palestras, a execução de grafite nos muros com temas relacionados à cultura negra e rap.

 


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