21 de Julho de 2018 |
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William Waack em entrevista a Revista Raça
19/02/2018
Saiu Luislinda Valois, a ministra que chegou e saiu sem ser notada
Da Redação, com informações das Agências

Brasília – A ministra dos Direitos Humanos do Governo Temer, desembargadora aposentada Luislinda Valois, finalmente, deixou o Governo nesta segunda-feira (19/02). O anúncio oficial da saída resultou numa situação curiosa: ninguém imaginava que ela ainda estivesse no cargo.

Em dezembro, para tentar se agarrar ao cargo e em meio a ameaça do PSDB de deixar o Governo, ela chegou a se desfiliar do Partido, na tentativa de ganhar sobrevida na Esplanada.

No lugar de Luislinda assume o atual subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo Vale Rocha, que acumulará as duas funções. Vale Rocha é subordinado do ministro chefe da Casa Civil, Elizeu Padilha e é membro do Conselho Nacional do Ministério Público.

Vexames, gafes e fiascos

A gestão da desembargadora aposentada à frente do Ministério dos Direitos Humanos, no qual tomou posse em fevereiro do ano passado, foi marcada pelo nada que criou e pela montanha de polêmicas em que se envolveu: a mais notória delas foi quando pediu ao governo para acumular a aposentadoria de R$ 33.400 e o salário de ministra, de R$ 30.934, sob a vergonhosa alegação de que, ao receber o teto do funcionalismo público - R$ 33.700 - estava vivendo em situação análoga a do “trabalho escravo”.

Em entrevista a Rádio CBN a ministra não se intimidou e pegou em armas para fazer a própria defesa: “Eu, como desembargadora aposentada, posso botar um chinelinho simples e ir a qualquer lugar. Mas como ministra de Estado, não posso fazer isso. Eu tenho uma representatividade. Não de luxo, mas de pelo menos me apresentar trajada dignamente. É cabelo, é maquiagem, é perfume, é roupa, é sapato, é alimentação. Porque, se eu não me alimentar, eu vou adoecer e, aí, vou dar trabalho para o Estado. É tudo isso que tem que ter. Então, eu pedi, formulei o pedido, como qualquer pessoa que se achar no direito pode requerer. Estou com um salário aqui, neste mês, de R$ 2.700. Para uma responsabilidade que se tem…”, disse, esboçando ter se sentido ofendida com as reações indignadas de metade do país com a demonstração de desfaçatez. 

Logo em seguida ao episódio, em que tornou público o horror de viver com "apenas" R$ 33.700 (o teto constitucional), afirmou ser “pobre e de periferia”.

Em outra ocasião nomeou Temer “padrinho” das mulheres negras brasileiras desencadeando uma chuva de respostas atravessadas e impropérios de centenas de entidades de mulheres negras de todo o país indignadas com a ofensa.

 


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