23 de Outubro de 2018 |
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15/05/2018
O babalaô e o padre
Editorial

Rio - A polêmica recente envolvendo declarações do padre Fábio de Melo que, em sermão, teria dito ao seu público de fiéis que não deveriam temer os efeitos da macumba e se, porventura, encontrassem despachos em frente às suas casas deveriam dar de ombros, já que tais manifestações não os atingiriam, é falsa.

Mais do que isso: é fabricada artificialmente por certas lideranças, que tem no babalaô Ivanir dos Santos,  um dos seus expoentes, de um movimento negro, a que temos denominado de "movimento negro chapa branca", que nada tem a propor nem a dizer, que perdeu o rumo, a razão e, com frequência, perde a compostura na busca de holofotes fáceis.

Portanto, o pedido de desculpas que teria sido feito pelo padre ao babalaô, interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), durante encontro de religiosos em café da manhã neste domingo (20/05) na Barra da Tijuca, é daquelas notícias que nada dizem, nada acrescentam e só servem para render visibilidade, especialmente, ao personagem objeto do pedido, já que o padre já é dono de verdadeiro latifúndio midiático.

O padre não deve pedido de desculpas pelo que disse numa homilia, da mesma forma como religiosos de matriz africana não devem se desculpar pelo que acreditam e dizem nas cerimônias religiosas que oficiam. Trata-se de crença. Ninguém deve pedido de desculpas a ninguém. E tudo o mais é uma encenação apressada e tosca por quem quer ocupar espaço na mídia e nas redes sociais a qualquer custo.

Tanto sua declaração de que “foi infeliz”, quanto a do babalaô de que “não temos barreiras entre as religiões”, são manifestações de farisaísmo e hipocrisia que permite a ambos continuarem acreditando no que acreditam (o que é um direito inalienável de cada um); são parte dos rituais a que se prestam para ocupar espaços nas mídias e que só serve aos dois protagonistas  da falsa polêmica.


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