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Manifestações em todo o país pelo Dia da Consciência Negra
01/10/2018
Negros de São Paulo lançam manifesto em apoio a Márcio França
Da Redação

São Paulo - Lideranças negras de S. Paulo, reunidas numa autodenominada Coordenação Negra por Igualdade e Ações Afirmativas, lançou manifesto em apoio a Márcio França, o candidato do PSB ao governo de S. Paulo. O Estado tem a maior população negra do país em números absolutos: são cerca de 15 milhões de afro-brasileiros, o que corresponde a 34,6% da população.

A disputa em S. Paulo está polarizada entre o ex-prefeito tucano João Dória e o ex-presidente da Fiesp, Paulo Skaf, do MDB, respectivamente, 25% e 22% das intenções de voto. França segue em terceiro, em curva ascendente com 14% das intenções de voto. Embora liderem, por enquanto, a disputa, os dois tem a maior taxa de rejeição. Dória lidera na rejeição com 38%, Skaf vem em seguida com 27%, e França é rejeitado por apenas 17% das pessoas ouvidas na pesquisa.

No Manifesto, que tem como título "Negros de S. Paulo com Márcio França", as lideranças lembram que, a exemplo do que acontece nos demais Estados do país, os negros paulistas ocupam a base da pirâmidade social: "ganham menos, são os primeiros a perder o emprego e tem uma expectativa de vida 2 anos menor do que o restante da população".

No documento, as lideranças pedem a França, a adoção das seguintes medidas que atendem às demandas históricas da população negra de S. Paulo. 1 – Adoção de um amplo Programa de Ações Afirmativas para ampliar a presença negra no mercado de trabalho e nas Universidades; 2 – Estímulo e incentivos fiscais à empresas que se proponham a valorizar a diversidade no mercado de trabalho;3 – Estímulo às empresa que adotem planos de equidade combatendo a desigualdade salarial enfrentada por negros e mulheres;4 – Criação de uma Secretaria de Ações Afirmativas;5 – Continuidade e ampliação da Campanha S. Paulo contra o Racismo, ampliando sua abrangência para outras atividades, além do futebol;

Segundo o Manifesto "tais medidas abrem caminho para que S. Paulo se torne o Estado a liderar o processo de inclusão das populações negras e torne o Brasil, de fato, um país de todos".

Confira, na íntegra, o Manifesto lançado em apoio a França.

NEGROS PAULISTAS COM MÁRCIO FRANÇA GOVERNADOR

São Paulo tem a maior população negra do Brasil. Em números absolutos – somos cerca de 15 milhões de afro-brasileiros, o que correspondente a 34,6% da população paulista.

A exemplo do que acontece nos demais Estados do país, os negros paulistas ocupam a base da pirâmide social: ganham menos, são os primeiros a perder o emprego e tem uma expectativa de vida 2 anos menor do que o restante da população.

De acordo com dado da PNAD trimestral do quarto trimestre do ano passado, do IBGE, trabalhadores negros ganham cerca de R$ 1,2 mil a menos que os brancos, em média.

No caso das mulheres negras, a situação é ainda pior. Além dos baixos salários, são as mais vulneráveis à violência doméstica.

Esse quadro de vulnerabilidade social que atinge mais que um terço da população do Estado é o resultado de quase 400 anos em que vigorou o trabalho escravo no Estado e no país.

O Brasil não foi apenas o último país a abolir a escravidão, foi também o que mais se utilizou da mão de obra escrava negra nos seus 518 anos. De cada 10 dias da história do país, 7 foram vividos sob escravidão.

Em pleno século XXI, não é mais possível aceitar a desigualdade que tem origem no gênero ou na cor da pele. O Brasil precisa ajustar contas com as sequelas do regime de trabalho escravo e S. Paulo pode assumir a liderança e o protagonismo da luta que não é apenas da população negra, mas de todos os brasileiros.

Pedimos ao futuro governador Márcio França, a adoção das seguintes medidas que atendem à demandas históricas da população negra de S. Paulo e do Brasil.

1 – Adoção de um amplo Programa de Ações Afirmativas para ampliar a presença negra no mercado de trabalho e nas Universidades;

2 – Estímulo e incentivos fiscais à empresas que se proponham a valorizar a diversidade no mercado de trabalho;

3 – Estímulo às empresa que adotem planos de equidade combatendo a desigualdade salarial enfrentada por negros e mulheres;

4 – Criação de uma Secretaria de Ações Afirmativas;

5 – Continuidade e ampliação da Campanha S. Paulo contra o Racismo, ampliando sua abrangência para outras atividades, além do futebol.

Tais medidas abrem caminho para que S. Paulo se torne o Estado a liderar o processo de inclusão das populações negras e torne o Brasil, de fato, um país de todos.

COORDENAÇÃO PAULISTA EM DEFESA DA IGUALDADE E DAS AÇÕES AFIRMATIVAS

 

 


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