15 de Novembro de 2018 |
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18/10/2018
A generalização como recurso de linguagem e porta para a injustiça
Marcos Benedito

É militante do movimento negro e coordenador da REDEAFRO,
No Brasil e no mundo, no que tange ao debate social, a generalização foi muito utilizada pelas classes mais privilegiadas para disseminar preconceitos, discriminação, injustiça, extermínio das minorias, prisões, tortura, mortes e um infinito leque de arbitrariedades.
 
No atual momento político que vivemos no Brasil, às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, estabeleceu-se uma disputa enraivecida entre os ideais defendidos pela direita, reunidos em torno da candidatura de Bolsonaro, e parte da esquerda, representada pela candidatura de Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores.
 
Bolsonaro e seus simpatizantes, incluindo o candidato ao Governo de São Paulo, João Dória, utilizam-se de discursos raivosos contra o PT e a esquerda, jogando à todos na “vala comum” da corrupção e da criminalidade.
 
Parcela significativa da população sente-se representada por estes candidatos.
 
Fato constatado pelos institutos de pesquisa, que apontam uma vantagem significativa dos candidatos comprometidos com o ideário conservador.
 
Esta dicotomia não é inédita na política nacional!

Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda do Nazismo, usava este recurso de linguagem, para discriminar e condenar o povo judeu e convencer a população da Alemanha da necessidade da guerra, sob o comando de Adolph Hitler.

 
No Brasil, não podemos nos esquecer de Antônio Conselheiro, que em Canudos, foi perseguido e morto, juntamente com seus seguidores, devido a sua pregação, que classificava a então recém proclamada República, como algo de procedência maligna.
 
Como não resgatar a luta em Palmares, onde os negros liderados por Zumbi, classificados como pessoas sem alma, resistiram à várias investidas do Governo Brasileiro, representados pela Coroa Portuguesa.
 
Aliás, nós negros, desde que fomos sequestrados da nossa Mãe - Pátria, sofremos todo o tipo de agressão e violência promovida pelo Estado e pela sociedade.
 
Ganhamos os piores salários, ocupamos os postos menos relevantes no mercado de trabalho.
 
Diariamente, somos vitimados pela generalização, que nos classifica como cidadãos e cidadãs de segunda classe!
 
O atual quadro político brasileiro pode representar cinquenta anos de retrocesso para o país, onde o discurso de generalização está dividindo o Brasil justamente no meio, antagonizando direita e esquerda, ricos e pobres, progressistas e reacionários, honestos e ladrões, armados e desarmados, civis e militares, crentes e pecadores etc.
 
A retórica da generalização, que neste momento de disputa, busca discriminar todos àqueles que lutam por um mundo mais justo e igualitário, estabeleceu um objetivo  mais amplo, classificando à todos os que tem uma visão política de esquerda, como alvos preferenciais do sinhozinho branco.  

Querendo nos submeter raivosamente, ao jugo do capital, aniquilando com as nossas conquistas, tentando nos impor o seu modelo político e religioso, numa tentativa de nos enquadrar numa versão modernizada do "Admirável Mundo Novo". 

"Este artigo reflete as opiniões do autor e não do veículo. A Afropress não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizada pelas informações, conceitos ou opiniões do (a) autor (a) ou por eventuais prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso da informações contidas no artigo."
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