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31/10/2018
Estudante que ameaçou matar "negraiada" é alvo de protestos em S. Paulo
Da Redação, com informações das Agências e do G1

S. Paulo – O estudante Pedro Bellintani Balleoti, 25, do Curso de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, que aparece em vídeo nas redes sociais com camiseta preta com a foto do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), prometendo que “essa negraiada vai morrer", foi suspenso pela direção da instituição e pode ser expulso, após a sindicância que foi instalada pela Universidade.

“Tais opiniões e atitudes são veementemente repudiadas por nossa instituição que, de imediato, instaurou processo disciplinar, aplicando preventivamente a suspensão do discente das atividades acadêmicas.”, afirma a Mackenzie em nota.

Balleotti também  foi demitido do escritório de advocacia em que estagiava desde julho. A empresa em nota disse “repudiar veementemente qualquer manifestação que viole direitos e garantias estabelecidos pela Constituição Federal” e comunicou o desligamento do estudante dos seus quadros de estagiários.

Bolsonaro, o presidente eleito, é reconhecido mundialmente como de extrema direita e é defensor entusiasta do regime militar e da tortura. Também já fez declarações públicas de desprezo por negros, mulheres e homossexuais e é também acusado de fazer a apologia da violência. Veja o vídeo:

https://www.youtube.com/watch?time_continue=3&v=YZdvDyKYfiA

Na nota em que comunica a punição ao estudante bolsonarista, a Universidade anuncia que, além da suspensão, abriu sindicância para apuração e aplicação das sanções cabíveis, conforme dispõe o Código de Decoro Acadêmico da Universidade”.

Veja, na íntegra:

“A Universidade Presbiteriana Mackenzie tomou conhecimento de vídeos produzidos por um discente, fora do ambiente da Universidade, e divulgados nas redes sociais, onde ele faz discurso incitando a violência, com ameaças, e manifestação racista.

Tais opiniões e atitudes são veementemente repudiadas por nossa Instituição que, de imediato, instaurou processo disciplinar, aplicando preventivamente a suspensão do discente das atividades acadêmicas. Iniciou, paralelamente, sindicância para apuração e aplicação das sanções cabíveis, conforme dispõe o Código de Decoro Acadêmico da Universidade."

Protesto antirracista

Na manhã desta terça-feira (30/10) centenas de estudantes protestaram contra o conteúdo do vídeo e pediram a expulsão de Balleotti, além de medidas de segurança por parte da universidade.

“A gente está correndo risco de vida. A gente não pode ir para a faculdade com medo de morrer. A gente pede que ele seja expulso, porque mesmo suspenso ele poderia entrar na faculdade. Não dá para conviver com uma pessoa que fez isso. E ele não pode ser um advogado”, afirmou uma estudante do curso de direito, integrante do Coletivo Negro Afromack, ao G1, portal de o Globo.

Segundo essa mesma estudante, os próprios colegas de Balleotti acionaram as instituições. “Como tinha uma conotação racial, nós do coletivo tomamos frente do que estava acontecendo.  Somos minoria da minoria dentro do Mackenzie e o que a gente pede é que os outros alunos que repudiam o ato se juntem com a gente para que isso não ocorra mais”, disse um estudante do Coletivo Negro Afromack.

Vídeo

Balleotti, no vídeo gravado do seu celular quando ia votar em Londrina, Paraná, afirma: “indo votar a ao som de Zezé, armado com faca, pistola, o diabo, louco para ver um vadio, vagabundo com camiseta vermelha e já matar logo. Tá vendo essa negraiada? Vai morrer! Vai morrer! É capitão, caralho”.

Ontem, ele voltou atrás e disse ter sido uma “bobagem”, um “impulso”, uma fala “completamente equivocada”. "Foi uma fala completamente infeliz, eu estou completamente arrependido, não imaginava essa proporção que o vídeo ia tomar. Fiquei arrasado e arrependido pelo sofrimento que eu possa ter causado para todas essas pessoas", afirmou.

O estudante, porém, é reincidente: em outro vídeo gravado há cinco meses e enviado a outros três amigos também pelo aplicativo de mensagens, ele segura um revólver e canta versos como “capitão, levanta-te”. O caso lembra os processos de radicalização de jovens europeus doutrinados pelo Estado Islâmico.


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