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Jovem negro não teve chance. Foi morto por segurança com um mata leão
09/12/2018
Loja da morte da cadelinha é a mesma em que o negro Januário foi torturado
Da Redação

Osasco/SP – O fechamento das portas neste sábado (08/12) não impediu que centenas de pessoas comparecessem a manifestação em frente à loja do Carrefour, da Avenida dos Autonomistas em Osasco para protestar pela morte da cadela “Manchinha”, no último dia 28 de novembro, após ser espancada por um segurança.

Confira matéria deste domingo (09/12) no Fantástico, da TV Globo:  https://youtu.be/DEQOQVXglfk

A loja é a mesma onde no dia 07 de agosto de 2.009, o vigilante da Universidade de S. Paulo, Januário Alves de Santana, foi torturado, após ser tomado por suspeito, por ser negro, do roubo do próprio carro – um EcoSport.

O caso teve enorme repercussão dentro e fora do país, o que forçou o Carrefour a indenizar o vigilante em um acordo extra-judicial. Os seguranças que dominaram e torturaram o vigilante, porém, foram, primeiro, absolvidos pela Justiça de Osasco, e, posteriormente, pelo Tribunal de Justiça de S. Paulo.

Indiciado

O segurança foi indiciado no artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais, por praticar abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais. A pena prevista é de 3 meses a 1 ano de prisão, além de multa, que pode ser aumentada em até um terço por causa da morte. Ele vai responder em liberdade, porque o crime é considerado de baixo potencial ofensivo. Veja o vídeo: http://r7.com/1jfs

A morte da cadelinha provocou protestos por todo o país após a divulgação de imagens do segurança portando uma barra de ferro. Neste domingo, o diretor de Diversidade, Paulo Pianez, anunciou  a criação do “Carrefour Pet Day”, a ser realizado anualmente no dia 28 de novembro – a data da morte da cadela – e o apoio com recursos a entidades de acolhimento e defesa animal.

Tentativa de desviar a atenção

Segundo o advogado, Dojival Vieira, que atuou como assistente de acusação do MP no caso do vigilante da USP, a reação do Carrefour aos protestos e o anúncio de que revisará os procedimentos internos para lidar com animais abandonados no entorno das lojas, tenta desviar a atenção do verdadeiro problema: a ausência de políticas de treinamento dos funcionários que prestam serviços nas empresas de segurança terceirizadas.

Segundo ele, desde o ocorrido em 2.009, quando o Carrefour, sob pressão da opinião pública, passou a esboçar políticas de diversidade, a empresa vem sendo alertada para a necessidade de programas de capacitação e sensibilização dos seguranças “completamente despreparados para lidar com o público”.

“As ocorrências de destratos e de casos de racismo envolvendo pessoas negras são rotineiras. A morte brutal desse pobre animalzinho expõe mais uma vez com toda a crueza a ausência de preparo desses funcionários terceirizados e a criação desse dia e o anúncio dessas medidas, apenas mascaram o problema para efeito de marketing”, concluiu o advogado.

NOTA DA REDAÇÃO

Todas as reportagens envolvendo este caso e outros em que o jornalista Dojival Vieira atua como advogado, são de responsabilidade da equipe de jornalistas que integram a Redação da Afropress.

 

 

 

 


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