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Ativista negra se declara inocente e acusa justiça seletiva
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05/08/2019
Ativista negra se declara presa política e acusa justiça seletiva
Da Redação, com informações do site Jornalistas Livres

S. Paulo – Janice Ferreira da Silva, a ativista, cantora, publicitária e liderança cultural do Movimento Sem-Teto do Centro de São Paulo, Preta Ferreira, presa desde o dia 24 de junho, na Penitenciária Feminina de Santana, sob a acusação de extorsão, disse que o processo que responde é "fruto de perseguição política e se baseia em fofocas".

"Sou uma presa política. A Justiça nesse país, só funciona para quem tem dinheiro. Para que serve essa justiça? Estou presa porque alguém falou que fiz e aconteci. Onde está meu direito de defesa? Temos que começar a denunciar, promotores e juízes”, afirmou, em entrevista exclusiva a Laura Capriglione, do site Jornalistas Livres.

A prisão de Ferreira - bem como de outras 19 lideranças ou membros de movimentos de luta por moradia, entre as quais seu irmão Sidney Ferreira e outras duas mulheres, Ednalva e Angélica - está sendo denunciada no país, como uma ofensiva visando criminalizar os movimentos sociais por moradia. Só em S. Paulo, são mais de 100 constituídos por pessoas que lutam pelo direito a habitação.

A ofensiva, segundo ativistas do movimento, é liderada por policiais e pelo promotor Cássio Roberto Conserino, do Ministério Público de São Paulo, responsável pela denúncia contra Preta e contra as demais lideranças.

Ele as acusa de fazerem parte de uma suposta organização criminosa, inclusive com ligações com o PCC.

Sem provas

Conserino baseou a denúncia no inquérito policial que tinha como objetivo investigar responsabilidades pelo incêndio e desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida, ocupado por pessoas sem casa, em maio de 2.018. Sete pessoas morreram na tragédia, mas o movimento liderado por Preta Ferreira, nada tem a ver com o Movimento de Luta Social por Moradia (MLSM), dirigido por Ananias Pereira dos Santos, que está preso.

O promotor aproveitou o inquérito policial sobre o prédio que desabou para iniciar a perseguição contra todos os demais movimentos por moradia que atuam na cidade de São Paulo. O juiz Marco Antonio Martins Vargas, da 26ª Vara Criminal de S. Paulo, aceitou a denúncia. Um pedido de habeas corpus ao Tribunal de Justiça de S. Paulo, já foi negado.

Presa política

“Sou uma presa política. A Justiça nesse país, só funciona para quem tem dinheiro. Para que serve essa justiça? Estou presa porque alguém falou que fiz e aconteci. Onde está meu direito de defesa? Temos que começar a denunciar, promotores, juízes”, afirmou a ativista que apresentava o Boletim Lula Livre, com informações a respeito das condições em que se encontra o ex-presidente preso em Curitiba e as mobilizações que tem ocorrido pelo país pedindo a sua libertação.

Na entrevista ao Jornalistas Livres, Preta Ferreira, também denúnciou a condição do negro como suspeito padrão no Brasil. "A negritude sempre foi vista como as piores pessoas. As últimas oportunidades foram dadas as pessoas negras. No Brasil ainda existe um câncer chamado racismo. E devido a esse racismo que as cadeias estão cheias. Estou presa porque nasci num país, mulher, preta, pobre, onde quem manda são os homens brancos, racistas e machistas. Eu estou presa porque briguei por direitos constitucionais. Quem deveria estar preso é quem não cumpriu com esses deveres. Moradia é um direito constitucional eu nasci nessa república. Eu não estou pedindo prá eles. Eu tenho direito. Onde estão as provas dos crimes que cometi?", acrescentou.

Confira, na íntegra, a entrevista de Preta Ferreira, a Laura Capriglione, do site Jornalistas Livres.

https://www.youtube.com/watch?v=e3tAj6JhJxI


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