4 de Junho de 2020 |
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09/03/2020
Mil e uma notícias sobre a aprovação da Reforma da Previdência do servidor público de SP
Raquel do Nascimento Gomes

É editora-coordenadora da Revista Escrita Pulsante

Mil e uma histórias de abuso de poder emergiriam das ruas impregnadas de gás lacrimogêneo e gás de pimenta, se a valorização da carreira do profissional da educação fosse valor sociocultural, econômico e político ou tivéssemos diante de um enredo que entende o professor como formador de uma geração de seres humanos plenos e potentes.

Em São Paulo, no dia 03/02/2020, balas de borracha, truculência e difamação marcaram nossa memória, feriram nossa pele, deturparam a manifestação dos professores como ato de baderna, confusão, depredação da Alesp – Assembleia Legislativa de São Paulo.

Neste mesmo momento, a assembleia legislativa, umbilicada entorno dos interesses doristas, votava a reforma da Previdência do servidor público do Estado de São Paulo. 56 votos, a professora Lourdes não consegue respirar por conta dos gases de pimenta, ao ser levada ao hospital é internada em estado grave de saúde. 57 votos, o professor Dirceu apanha da polícia por se manifestar contra a reforma da previdência. 58 votos, corre suor e sangue entre as rugas do sábio professor Elias que reivindica o direito em se aposentar.

59 votos, Coronel Telhado do partido PP rompe com decoro parlamentar e encena escárnios aos professores presentes na galeria do plenário. Brinca com o seu celular, faz self de si mesmo, como um menino mimado, que foi chamado atenção pelos professores, ressente fazendo birras.  Entre seus acenos de adeus, professores saem da galeria do plenário dando as costas aos poucos deputados que ainda restavam no plenário. A deputada Leci Brandão retira-se vista por nós e invisível aos olhos do presidente da casa Cauê Macris (PSDB).  

Em poucos instantes, as redes sociais estariam repletas de vídeos com imagens dos professores difamados diante das gravações. Imagens que validam o discurso da pós-verdade no jornalismo, além de divulgadas de maneira depreciativa pelo MBL.  Sem autorização dos professores, as imagens circulam em descaso, difamação. Estes registros servis endossam o desmantelo dos projetos de políticas públicas inclusivas voltadas à educação. Retrocedem as garantias trabalhistas com a justificativa da falência dos cofres públicos.

As mil e umas histórias não são contos míticos ou uma fake news que validam o discurso hegemônico, mas um relato subjetivo ou uma pauta jornalística sem holofote da mídia publicitária.

 

 

 

 

 

 

 


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