14 de Agosto de 2020 |
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Ativista negra se declara inocente e acusa justiça seletiva
10/03/2020
Justiça condena dois homens por racismo contra Maju Coutinho
Da Redação

S. Paulo - O juiz Eduardo Pereira dos Santos Júnior, da 5ª Vara Criminal da capital, condenou a penas que variam de cinco a seis anos de reclusão em regime semiaberto, mais multa, Érico Monteiro dos Santos e Rogério Wagner Castor Sales, acusados de racismo e injúria racial pelos ataques a apresentadora Maria Júlia Coutinho, da TV Globo. Os dois utilizaram perfis falsos nas redes sociais para acessar a página da emissora e proferir injúrias de forma coordenada contra Maju.

“Na liderança da comunidade cibernética denominada ‘Warning’, e sob pena de exclusão, ordenaram que seus membros efetuassem postagens de cunho preconceituoso e discriminatório contra a raça negra e a cor preta, o que efetivamente aconteceu, e de modo maciço e impactante. (...) Ao atacar figura pública emblemática, os réus visavam – e de alguma forma obtiveram - ampla repercussão de suas mensagens segregacionistas”, escreveu o juiz na sentença.

Érico foi condenado a seis anos de reclusão e Rogério a cinco em regime semiaberto, mais multa. Na sentença, o juiz Santos Júnior também entendeu que os dois réus cometeram corrupçãoi de menores por terem induzido três adolescentes à prática dos mesmos crimes. Os condenados ainda poderão recorrer da sentença em liberdade.

Outros dois acusados - Kaique Batista e Luis Carlos Feliz de Araújo, que haviam sido denunciados pelo Ministério Público como integrantes do mesmo grupo, acabaram absolvidos por falta de provas.

“A condenação dos autores dos ataques à Maju Coutinho, sobretudo do líder da gangue virtual de mais de dez mil membros, é uma demonstração de que a internet não é um oceano de impunidade por onde navegam racistas e outros criminosos virtuais. Mesmo os que se escondem atrás de nicknames e de perfis falsos (fakes), como no caso, podem ser alcançados pela polícia, pelo Ministério Público e pela Justiça Criminal", afirmou Christiano Jorge Santos, um dos promotores do caso.

Os quatro réus foram denunciados em 2016 pelo Ministério Público de São Paulo, após ampla investigação sobres os ataques que vinham acontecendo nas redes sociais desde 2014. Eles utilizavam pseudônimos e contas falsas para promover os crimes, de acordo com os promotores.

O inquérito de 18 páginas contra o grupo afirma que os réus marcavam dia e horário para atuarem juntos nos ataques, com ajuda de profissionais de informática. Eles induziram outros quatro menores a participar da prática dos crimes e eram chefiados por Érico Monteiro dos Santos.

A polícia chegou até o grupo depois que o computador de Kaique Batista foi apreendido.

O caso ganhou repercussão nacional e foi um dos assuntos mais comentados em 2015 nas redes sociais, gerando as hastags #SomosTodosMaju e #SomosTodosMajuCoutinho, que chegaram até os apresentadores do Jornal Nacional, William Bonner e Renata Vasconcelos. Junto com toda a equipe do JN, os dois apresentadores gravaram mensagem de solidariedade à Maju pelos ataques racistas.


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