20 de Outubro de 2020 |
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13/04/2020
A travada brusca da maçã mais cobiçada do planeta
Edson Cadete

É colaborador de Afropress e escreve desde Nova York, cidade onde vive

Queens, Nova York – A pungente locomotiva econômica e cultural dos Estados Unidos, Nova York, pisou fundo no seu freio de atividades econômicas levando a cidade a uma quase total paralisação.

O grande motivo é a pandemia do novo Coronavírus que vem derretendo economias ao redor do planeta. O atual prefeito da cidade, Bill de Blasio, rendeu-se aos pedidos pra que se limitasse ao máximo a circulação de pessoas principalmente na ilha mais famosa do planeta, a ilha de Manhattan, o centro econômico e cultural do  planeta. Porém, a restrição é aplicavél a todos os cinco bairros que compõem a grande Nova York.

Esta medida foi a maneira encontrada para tentar estancar o vírus que se alastra como fogo num paiol de póvora. A cidade ja conta com mais de 700 pessoas infectadas e pelo menos 7 mortes. O virus que começou a espalhar-se primeiro pela China no final do ano passado chegou com toda sua fúria nos Estados Unidos no começo de Março.

Assim que ficou claro que a cidade não ficaria mais imune ao Coronavírus, os famosos teatros da Broadway começaram a fechar suas portas. Logo em seguida foi a vez dos restaurantes e o enorme comércio de souvenirs na área da Times Square seguirem o mesmo caminho. Normalmente o comércio nesta região fatura mais de 70% de suas receitas anuais com os clientes e turistas que frequentam os teatros na vizinhança. Começava assim um tsunami irreversível atingindo em cheio o coração da Grande maçã.

O mineiro Frederico Alves, da cidade de Uberaba, que mora em Nova York há um ano, está boquiaberto. Para ele o que esta acontecendo é surreal. “A situação é bem complicada. Isto exige de toda população uma cooperação nunca vista antes. É alarmante o impacto na economia e na saúde da população em geral”, ele disse sentando em frente a Rua 34 e a Rua Broadway, uma das áreas mais congestionadas da cidade, completamente vazia.

Uma outra pessoa que sentiu os efeitos do isolamento de Manhattan é Diana (ela preferiu não dar seu sobrenome). Ela trabalha numa loja de souvenirs no coração da Times Square. “É uma loucura. Talvez volte ao normal em três anos”, disse atrás do balcão de uma loja vazia, mas abarrotada de lembranças da cidade.

Com as instituições fechando, os pontos turísticos e as principais lojas de comércio seguindo o mesmo caminho, não restava outra alternativa ao atual prefeito a não ser fechar também as escolas públicas da cidade, com isso tirando mais de um milhão de estudantes da rede escolar. Esta decisão foi penosa para o prefeito porque ele entendia perfeitamente os efeitos trágicos desta importante decisão. Centenas de crianças recebem suas refeições através das escolas públicas.

A preocupação do prefeito ficou bastante clara quando ele cabisbaixo disse: “Como ficarão as crianças e os adolescentes? O que acontecerá com as pessoas e seu dinheiro? Como as pessoas conseguirão comprar remédios? Na atual conjuntura como certificaremos que o abastecimento será suficiente para nossa população, em especial a população mais vulnerável?”

O prefeito disse ainda que as consequências econômicas por causa desta pandemia e a paralisação podem ser comparadas a Grande Depressão no início do século XX. Nova York deixará de arrecadar mais de US$ 3 bilhões em receitas e perderá mais de US$ 1 bilhão em salários na área de turismo, uma das grandes forças motrizes da cidade. Nova York costuma receber de braços abertos anualmente mais de 50 milhões de turistas.

Para complicar ainda mais a situação caótica, a agência responsável pelo Metrô, ônibus e os trens suburbanos, a MTA (Metropolitan Transity Authority, em Inglês), afirmou que estava buscando pelo menos US$ 4 bilhões em fundos junto ao Governo federal. O número de passageiros que normalmente abarrotam o Metrô declinou vertiginosamente chegando a cair mais de 70%. Todo transporte coletivo está circulando praticamente vazio.

Nova York, cenário de grandes produções de Hollywood tranformou-se numa cidade fantasma como no famoso filme “Eu sou a Lenda” estrelando Will Smith. Como diz o ditado popular a arte imita a vida. Nova York está vivendo literalmente esta horrível experiência.

Nota da Redação:

O artigo foi escrito em 20 de março. A situação de Nova York mudou, e muito, para pior. Segundo o governador, Andrew Cuomo, em pronunciamento ontem, 12 de abril,  o número de mortes por coronavírus no Estado é de 10.056. O número oficial aumentou após 671 pessoas morreram neste domingo de Páscoa. Postamos o artigo do colaborador Edson Cadette, porque consideramos que é importante para se traçar um panorama da evolução do coronavírus desde que o artigo foi escrito. Também por respeito ao autor, a quem pedimos sinceras desculpas. 


"Este artigo reflete as opiniões do autor e não do veículo. A Afropress não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizada pelas informações, conceitos ou opiniões do (a) autor (a) ou por eventuais prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso da informações contidas no artigo."
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