20 de Outubro de 2020 |
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06/05/2020
O Coronavirus mudou a rotina na cidade mais diversificada do planeta
Edson Cadete

É colaborador de Afropress e escreve desde Nova York, cidade onde vive

Woodside, Nova York – Há exatos sessenta dias o prefeito da cidade de Nova York, Bill de Blasio, anunciava numa das suas entrevistas semanais para a rádio pública WNYC.ORG que a chegada do COVID-19 a cidade era somente uma questão tempo. O que a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Centro de Controle de Doenças dos EUA (CDC em inglês) não contavam é que o vÍrus fosse se alastrar como fogo num paiol de pólvora mudando a rotina de milhões de pessoas ao redor do planeta.

Além de matar milhares de pessoas, fossem elas jovens, ou da terceira idade, ricos ou pobres, o vírus fez com que o planeta como um todo diminuisse seu ritmo alucinante. O coronavírus certamente não distingue entre classe social e ou etinia ou origem.

A cidade conhecida pela rapidez do seus mais de oito milhões de cidadãos teve que se adaptar rapidamente a uma nova realidade em todos os sentidos. Milhares de novairoquinos foram obrigados a trabalhar diretamente de suas casas.

Os trabalhadores menos afortunados, mas com uma tremenda responsabilidade em manter a cidade funcionando não reclamaram e foram a luta. São os trabalhadores hospitalares, farmacêuticos, dos supermercados, do Metrô, entre outros. Aquilo que segundo o presidente norte-americano, Donald Trump, não passaria de uma simples gripe com menos de 10 pessoas afetadas acabou virando uma pandemia sem precendentes no país.

Uma das áreas enormemente afetadas é a do abastecimento alimentício. A cidade de Nova York é plenamente abastecida com ampla variedades de supermercados. Desde as grande redes como o Whole Food e Trade Joes até os mais locais como o C-town e Bravo. Estes dois últimos geralmente ficam fora da ilha de Manhattan abastacendo os bairros de Bronx, Brooklyn, Queens e Staten Island.

Há um pouco mais de dois meses se voce fosse a qualquer supermercado na cidade encontraria as prateleiras abastecidas com os mais variados produdos. Do mesmo modo se voce entrasse numa farmácia não teria problema algum em encontrar seu medicamentos ou qualquer outro produto

relacionado a higiene pessoal ou beleza. Diferentemente do Brasil, as farmácias nos Estados Unidos estão estocadas com produtos que vão alem dos produtos farmacêuticos.

Tudo isso é claro mudou quando as notícias vindas da Europa chegaram com um tremendo impacto aos televisores, Iphone, Ipads e computadores no país mostrando cidades europeis vazias com suas milhares de mortes. Como era de se esperar aconteceu uma correria em busca de mantimentos para serem estocados em casa com medo de um total desabatecimento de produtos. Os supermercados não conseguiam repor seus produtos e filas comecaram a formar dentro deles. Tinha-se a impressão que produtos essencias como água, papel toalha e papel higiênico desapareceriam. Não adiantava o governo federal vir a público e pedir calma para a polulação dizendo que havia produtos para todos por muito tempo ainda. O frenezi era total.

Por causa do alto grau de contágio do novo coronavirus era somente uma questão de tempo para que as pessoas deixassem de usar máscara em certos lugares e ela se tornasse onipresente. O isolamento social(social distance em inglês) foi adotado na cidade como um todo. Estas foram as formas encontradas para tentar diminuir a propagação do vírus que era avassalador. As recomendações tando do governador como do prefeito é para que as máscaras sejam usadas por todos principalmente em locais fechados.

E bastante visível agora como a cidade adotou todos os protocolos relacionados com o Covid-19. Um deste lugares é o supermercado coreano HF Dollar and Up localizado em Woodside no bairro do Queens. O supermercado está Localizado praticamente ao lado da estação do Metrô Wooside e rua 61, a poucos quarteirões do hospital público Elmhurst assolado com uma enorme quantidade de casos do coronarírus.

Até a chegada do vírus era possível entrar neste supermercado e encontrar uma grande variedade de produtos. O local possui ainda uma enorme peixaria. A quantidade e variedade de produtos ainda é

enorme, mas começa a faltar alguns itens. Todos os funcionários agora são obrigados a usar máscaras, assim como os clientes. Um destes funcionários é o jovem mexicano da cidade de Puebla, Gerado Espinosa, de apenas 26 anos e há 6 anos morador em Queens. Trabalhando há mais de um ano na peixaria, ele diz que “É um incomodo usar estas máscaras, mas elas são agora parte importante do equipamento juntamente com as luvas para a prevenção contra o coronavírus, e é para o benificio de todos. Espero por Deus que esta situação nao demore muito”.

Para termos uma idéia da total mudança ocorrendo hoje em dia já não é mais possivel aparecer e entrar sem problemas. Para entrar neste supermercado assim como em qualquer outro na cidade é preciso entrar numa fila que em muitos casos pode durar até quinze minutos. Detalhe: é preciso respeitar nas filas a distância de dois metros.

Nova York mudou completamente sua rotina frenética. Relações pessoais, intrapessoais e de negócios foram dramaticamente alteradas. É possivel dizer agora com toda certeza que havia uma Nova York pré COVID-19 e haverá uma Nova York pós COVID-19.

Judeus em Nova York

Há nos Estados Unidos aproximadamente 7.5 milhões de judeus. Este grupo constitui 2 por cento da população total no país. Deste total quase 1.5 milhão vive no Estado de Nova York. Na cidade de Nova York, em particular, existe uma enorme população de judeus ortodoxos ou ultra religiosos. Ele estão particularmente concentrados em Borough Hall, um subdistrito no bairro do Brooklyn.

Este enorme grupo segue seus próprios costumes dentro da religião judaica. Quase no final do ano passado a prefeitura da cidade entrou em atrito com esta comunidade por causa do surto de sarampo afetando os judeus ortodoxos. Entretanto, mesmo com o apelo do prefeito Bill de Blasio, implorando para que as crianças fossem vacinadas líderes religiosos rebateram o prefeito e invocaram seus direitos constitucionais e sua religião recusando a vacina.

Agora no meio de uma epidemia devastadora do COVID-19, essa mesma comunidade aglomerou-se nas ruas do bairro para homenagear um rabino falecido justamente por causa do COVID-19. Todos os dias, tanto o prefeito, como o governador do Estado prestam esclarecimentos sobre a pandemia e reforçam o pedido de isolamento social a todos os nova-iorquinos.

É de conhecimento geral a força política que exerce esta comunidade na cidade. Porém, o que ficou bastante claro para o resto da população com a atitude dos judeus ortodoxos foi o desrespeito e a desconsideração com a saúde alheia.


"Este artigo reflete as opiniões do autor e não do veículo. A Afropress não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizada pelas informações, conceitos ou opiniões do (a) autor (a) ou por eventuais prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso da informações contidas no artigo."
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