14 de Agosto de 2020 |
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Ativista negra se declara inocente e acusa justiça seletiva
29/05/2020
O último suspiro
Marcos Benedito

É militante do Movimento Negro de S. Paulo

Provavelmente, vivemos os tempos mais difíceis dos últimos 100 anos, na história da humanidade, e consequentemente; do Brasil. 

Um Brasil diferente, conectado, avançado tecnologicamente, mas que, no entanto, continua enfrentando problemas seríssimos em relação à desigualdade social. 

A riqueza continua concentrada nas mãos de poucos, a pobreza, nas mãos de muitos! 

Ainda somos muito atrasados nas relações humanas, a maioria da população continua privada de estrutura básica. 

A maioria das moradias não tem direito nem mesmo a tratamento de esgoto.

A exclusão social é um dado concreto, ressaltada por todos os organismos relacionados aos Direitos Humanos, e neste contexto; somos campeões em mortes violentas, feminicídio, extermínio de jovens, discriminação racial, xenofobia, intolerância religiosa etc. 

Neste contexto, surge a pandemia do coronavírus! 

Ao escrever este artigo, o Brasil está assumindo o terceiro lugar, perdendo somente para Estados Unidos e Rússia, no número de contaminados pela covid 19. 

Mas o Brasil vai além, em decorrência de disputas políticas, o país se destaca também nos equivocados movimentos em torno da tentativa de controlar a doença, protagonizando uma disputa entre o Governo Federal e os Governos Municipais, que se reflete na população em forma de descaso em torno do isolamento social e da quarentena, considerando-se inclusive o mau exemplo protagonizado pela maior autoridade política, quando por mais de uma vez, incentivou aglomerações, participou de marchas de protesto, e até ironizou o número de mortos.

Somos um povo que tem uma experiência dolorida, decorrente da fragilidade do sistema de saúde pública. 

O Brasil começa a pagar a conta da falta de investimento em estrutura, com o constante deslizamento de encostas, inundações, rompimento de barreiras, queimadas na Amazônia, gravíssimo acidentes provocados pela falta de zelo e de empenho dos governantes. 

 

Por outro lado, somos uma nação privilegiada, que raramente enfrenta um grande desastre natural, devido às características do nosso continente. 

 

Na maioria dos países que estão passando pelo ataque epidemiológico, houve um esforço coletivo da iniciativa pública e privada, para a adoção de medidas adequadas ao combate ao problema, possibilitando inclusive, a medição da curvatura do covid 19.

 

Isto facilitou o cálculo da flexibilidade das políticas de controle, visando a retomada da rotina da produção econômica. 

 

Em nosso país, devido ao duplo comando, disputas políticas, desrespeito as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS), subnotificação de casos, troca de Ministros durante a aceleração da contaminação, entre outros problemas; não se tem ao certo a previsão da estabilização dos números de caso, possível número de mortos, uma projeção do recuo da doença. 

 

Em algumas regiões, devido a falta de recursos, já se faz necessário a hierarquização dos doentes, com a respectiva escolha de qual a prioridade no uso do respirador artificial. 

 

Outro dado extremamente relevante, repercutido na imprensa; relata que muito embora as pessoas brancas sejam o maior número de contaminados, os óbitos atingem em maior número aos não brancos, em especial; aos negros. 

 

Paradoxalmente, em várias regiões do Brasil, crescem o número de carreatas incentivadas pelos empresários, que reproduzem o discurso midiático do Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, pela volta dos trabalhadores aos meios de produção, que inclusive, protagoniza a assinatura de protocolo de utilização de medicamento não aprovado pelo organismo de controle, e que de acordo com especialistas, não comprovou nenhuma eficácia no tratamento contra o coronavírus, além de provocar gravíssimos efeitos colaterais.  

 

O Brasil, pode não ser vítima de constantes desastres naturais, porém, os ataques provocados intencionalmente, por aqueles que deveriam zelar pela vida de cada brasileiro, podem provocar o registro histórico do maior genocídio da sua história!

 


"Este artigo reflete as opiniões do autor e não do veículo. A Afropress não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizada pelas informações, conceitos ou opiniões do (a) autor (a) ou por eventuais prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso da informações contidas no artigo."
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