23 de Maio de 2019 |
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Racismo explícito do ex-conselheiro do Santos. Ouça.
30/04/2019
O Brasil que eu não queria
Marcos Benedito

É coordenador da REDEAFRO, militante do movimento sindical e negro

Não culpemos ninguém pela situação política que estamos enfrentando atualmente no Brasil.  

Tivemos a oportunidade de administrar este país por 12 anos! Podíamos ter criados várias leis garantidoras dos nossos direitos, poderíamos ter investido pesadamente na criação de "Leis de Estado", mas não o fizemos!
 
Confiamos nos aliados políticos, pensávamos que a elite poderia ser envolvida em nossas propostas, acreditávamos em nossa capacidade de cooptação e de convencimento.
 
Creio que alguns imaginavam que o nosso projeto político seria duradouro o suficiente para mudar o Brasil, conquistando em definitivo o apoio da população, da mídia, do empresariado, da igreja, e de todos os segmentos mais influentes da população. 
 
Afinal, tínhamos o "Conselhão", um fórum constituído pela elite do pensamento brasileiro, que na hora mais crucial da história do Brasil, desintegrou-se, omitiu-se, ou até mesmo pulou pra dentro da outra canoa.  
 
Estamos pagando um alto preço, por algumas iniciativas políticos partidárias, não discutidas o suficiente nas bases.
 
Fragilizamo-nos em demasia, desprezamos segmentos importantes da militância. 

Nos assoberbamos excessivamente!

Como resultado disto tudo: distanciamos-nos dos interesses do povo.
 
Hoje, aquele que poderia ter sido unanimamente, o maior presidente do Brasil, reconhecido mundialmente como um estrategista, líder nato, fundador de um dos maiores partido de trabalhadores do mundo, está enclausurado, numa cela da Polícia Federal, em Curitiba.
 
Perdemos a capacidade de fazer auto-crítica. 
 
Regredimos em todas as políticas sociais.
 
Estamos acompanhando o desmonte avassalador de todas as nossas conquistas!
 
Enquanto isso, os nossos líderes, talvez envergonhados, repetem chavões, frases prontas, sem o menor poder de convencimento, nas páginas sindicais e nos denominados blogs sujos.  
 
Assistimos imobilizados, a história do Brasil ser reescrita pelos nossos algozes, que sem o mínimo de vergonha, repetem o mesmo enredo todos os dias na mídia e também nas redes sociais, com o objetivo de estabelecerem valores que darão sustentação política, midiática e judicial  aos interesses por eles defendidos.
 
Estratégia, que nós da esquerda, comprometidos com a maioria da população, intelectuais capacitados, embasados em grandes teorias revolucionárias, defensores dos interesses da maioria da população, em 12 anos, em três governos democráticos e participativos, não tivemos a capacidade de desenvolver!

 


"Este artigo reflete as opiniões do autor e não do veículo. A Afropress não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizada pelas informações, conceitos ou opiniões do (a) autor (a) ou por eventuais prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso da informações contidas no artigo."
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