19 de Janeiro de 2021 |
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A ação brutal de dois assassinos covardes contra um homem negro
13/12/2020
Polícia gaúcha indicia 6 no caso Beto Freitas, mas ignora racismo
Da Redação, com informações de O Globo e G1

Porto Alegre/RS - A Polícia gaúcha indiciou por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, asfixia, e recurso que impossibilitou a defesa da vítima) seis pessoas pelo assassinato de João Alberto de Freitas, 40 anos, o homem negro espancado até a morte na loja do Carrefour da Zona Norte de Porto Alegre, na véspera do Dia da Consciência Negra.

Os seis indiciados são os dois seguranças que espancaram Beto até a morte, - Geovane Gaspar da Silva, o policial da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, e Magno Braz Borges. Ambos e mais Adriana Alves Dutra, a funcionária que tentou impedir as gravações, já estão presos preventivamente.

Os outros três são Paulo Francisco da Silva, funcionário da empresa de segurança Véctor que impediu a esposa socorresse Beto, e dois funcionários do Carrefour - Kleiton Silva Santos e Rafael Rezende - que auxiliaram na imobilização da vítima. "A vítima não apresentava sinais vitais, mas eles se mantiveram inertes, mesmo tendo uma unidade hospitalar próxima, distante apenas 1,2 quilômetros. E, mesmo assim, aguardou-se uma equipe do Samu, que chegou ao local 14 minutos após ser cientificada", diz trecho do inquérito.

A delegada Roberta Bertoldo (foto) que presidiu o inquérito, pediu a Justiça a prisão preventiva dos três que ainda estão soltos e que os três já presos sejam mantidos na cadeia.

Mesmo falando de racismo estrutural, a Polícia gaúcha não incluiu a motivação racial como qualificadora do crime, conforme previsão da Lei da Tortura - Lei 9455/97, artigo 1º, inciso "c". Embora as penas previstas na Lei sejam inferiores ao homicídio triplamente qualificado (art. 121 do Código Penal), que prevê penas de 12 a 30 anos, a motivação racial poderia ser acrescentada como uma quarta qualificadora, de acordo com advogados ouvidos pela Afropress.

LIVE: LIBERDADE E JUSTIÇA PARA OS NEGROS DO BRASIL

Sexta-feira, dia 11/Dezembro/2020

Hora: 21h30

Participação de Myriam Marques, ativista do Defending Democracy in Brazil nos EUA; Arlindo Felipe, militante do Movimento Negro de S. Paulo; Edson Cadette, jornalista da Afropress, correspondente em Nova York; e Dojival Vieira, advogado e editor de Afropress.

Confira:

https://www.facebook.com/dojival.vieira/videos/3469024346479065


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