24 de Fevereiro de 2021 |
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Martin Luther King, Jr. Day
Edson Cadete

Edson Cadete é colaborador de Afropress e escreve desde Nova York, cidade onde vive

Queens, Nova York –  Há trinta e cinco anos, mais precisamente no dia 2 de Novembro de 1983, o presidente republicano e ícone da direita, Ronald Reagan, sancionou a Lei criando o feriado nacional em homenagem ao pastor, ativista, e maior líder do Movimento dos Direitos Civis nos EUA, Martin Luther King, Jr, comemorado na terceira segunda-feira de janeiro. Sua importância para a história estadunidense é tão grande que somente o primeiro presidente, George Washington, tem como feriado nacional a data do seu nascimento.

Nascido Michael King, Jr. no dia 15 de Janeiro de 1929, seu avô paterno Adam Daniel Williams foi um pastor na área rural da Geórgia mudando-se para a cosmopolita Atlanta no crepúsculo do século XIX. Um ano após, abriu a Igreja Batista Ebenezer. O pastor Williams casou-se com Jennie Celeste Parks que deu a luz a Alberta, mãe de King, e dos seus dois irmãos. Diferentemente da família de sua mãe, o pai de Martin Luther King, vem de uma família de meeiros da cidade de Stockbridge.

Seus avós paternos eram James Albert e Delia King. Quando seu avô materno faleceu em 1931, seu pai, Michael King Sr. (Sênior), assumiu o posto como o pastor principal aumentando consideravelmente a participação da comunidade na sua Igreja.

Após uma viagem a vários países em 1934, entre os quais,Tunísia, Egito, Itália e Alemenha, e neste último, visitando locais importantes relacionados ao pastor reformista protestante Martinho Lutero, Michael King, Sr. ficou tão impressionado com a história do protestantismo que, ao voltar para a América, passou a se autodenominar, não mais Michael King Sr., mas Martin Luther King, Sr., e, ao mesmo tempo, passou a chamar seu filho de Martin Luther King, Jr. Michael mudou seu nome na sua certidão de nascimento em 1957 aos 28 anos de idade.

Martin Luther King, Jr. estudou o ensino médio na escola Booker T. Washington, a única na cidade para estudantes negros. Suas notas não eram muito boas, mas sua excelência na oratória passou a chamar a atenção de alguns professores. Após terminar seus estudos precocemente aos 15 anos matriculou-se na Faculdade Moorehouse, uma das faculdades negras mais reconhecidas nos EUA, e onde o seu pai e seu avô materno também se graduaram.

Até o Movimento dos Direitos Civis que liderou na década de 1960, Martin Luther King, Jr. viveu sob as regras e os costumes das leis segregacionistas chamadas “Jim Crow Laws”. Estas leis foram implementadas no período pós Reconstrução (1865-1872) e perduraram até 1965 quando foram finalmente abolidas pelo presidente Lyndon B. Johnson. Como filho e neto de pastores batistas, MLK, Jr. certamente ouviu vários sermões e sentiu na pele a  discriminação e a segregação praticadas contra a comunidade negra no sul do país.

Durante o verão de 1944, em setembro, antes do começo das aulas na Faculdade Moorehouse, o jovem MLK Jr. deixou o conforto familiar em Atlanta para trabalhar numa fazenda de tobaco no estado de Connecticut. Era a primeira vez na sua vida que ele deixava o Sul para aventurar-se no Norte do país, uma região bem mais integrada racialmente falando do que Atlanta.

Esta experiência no Norte causou um profundo impacto na sua personalidade. Em cartas enviadas a sua família, King explicava com detalhes os lugares que frequentava com seus amigos, onde os negros e os brancos congregavam sem qualquer animosidade, as quais ele estava acostumado em Atlanta.

Uma experiência marcante na sua volta do Norte depois do verão foi quando teve que trocar de trem em Washington. Na Capital do país ele foi obrigado pelos funcionários a sentar-se num vagão designado às pessoas negras. Em 1948, no seu último ano de faculdade optou pelo sacerdócio. Segundo suas próprias palavras, a Igreja Batista oferecia a melhor garantia em responder  “meu desejo íntimo em servir a humanidade”. Entre 1948 e 1951, MLK estudou no Seminário Teológico Crozer localizado na Pennsylvania, onde recebeu o diploma de bacharel em Divindade.

Durante este período envolveu-se romanticamente com a filha de um imigrante alemão que era funcionário da cafeteria do seminário. Com medo da reação da família e o que isto poderia causar nas suas aspirações na carreira religiosa, ele preferiu terminar o relacionamento. Segundo seus amigos o rompimento deixou MLK bastante abalado.

Em 1951, com a ajuda e as conexões do seu pai, MLK foi fazer doutorado religioso na Universidade de Boston. Ele estudou sob a tutela do amigo pessoal do seu pai, o reverendo William Hunter Hester. Entre 1952 e 1953 estudou Filosofia na Universidade Harvard. Foi durante este período em Boston que MLK encontrou Coretta Scott com a qual viria a casar-se em 1953.

O casamento foi oficializado na casa dos pais de Coretta, na cidade de Heilberger no Alabama. No final de 1959, depois de quase seis anos em Montgomery, a família King resolveu voltar para Atlanta a pedido da organização “Southern Christian Leadership Conference” (Conferência Cristã de Liderança Sulista – trad. Livre).

 

Os acontecimentos que protagonizou após este seu retorno são conhecidos mundialmente. Sua entrada gloriosa no palco da luta pelos Direitos Civis, em 1955, no Alabama liderando o boicote contra a companhia de ônibus da cidade de Montgomery. Sua estratégia de não violência baseada nos estudos do líder indiano Mahatma Gandhi.

O primeiro atentado contra sua vida, quando foi atacado com um abridor de cartas enquanto autografava um dos seus livros no bairro do Harlem, em Nova York. Foi por muito pouco neste episódio que ele não perdeu a vida. Após o ataque foi levado ao Hospital do Harlem onde o abridor foi retirado de uma área a pouco centímetros do coração.

Suas várias prisões apoiando movimentos antirracistas no Sul colocando em xeque a Constituição e a administração do então presidente John Fitzgerald Kennedy o colocaram em rota de colizão com JFK. Suas diferenças ideológicas e táticas com Malcolm X de como enfrentar o racismo, se tornaram conhecidas. A Marcha sobre Washington e o discurso com que se tornou mundialmente conhecido, “I Have A Dream” para uma platéia de mais de 250 mil pessoas.

Prêmio Nobel da Paz, em 1964, pelo reconhecimento internacinal do seu papel na luta antirracista na América, MLK não viu com bons olhos o envolvimento dos EUA na Guerra da Coréia e depois na Guerra do Vietnã. Ele criticava abertamente o presidente Johnson por sua aposta de que os EUA venceriam a guerra.

Por causa do peso e do alcance internacional de suas críticas, MLK passou a ser vigiado 24 horas por dia pelo FBI. Se hoje sua imagem foi completamente santificada, no auge da luta pelos direitos civis MLK foi atacado pela grande mídia do país, tanto a mais liberal como a conservadora.

Para MLK, o tripé militarismo, capitalismo, e racismo impediam qualquer avanço nas relações sociais bem como nas relações raciais.

Como que pressentindo o fim da sua jornada MLK terminou o sermão um dia antes do seu assassinato com as seguintes palavras: “Eu provavelmente não chegarei lá com vocês, mas quero que vocês saibam esta noite que nós como pessoas chegaremos a terra prometida.”

No dia 4 de Abril de 1968, antes de completar  40 anos MLK Jr. foi assassinado na cidade de Memphis no Estado do Tennessee quando participava de atos e protestos visando melhorar os salários dos lixeiros, o que revela que sua concepção de luta antirracista era abrangente.

Confira a live com a participação dos ativistas Rosane Romão, do Rio, André Moreira, de Vitória, Espírito Santo; de Myriam Marques e Edson Cadette, de Nova York, com mediação do jornalista e editor de Afropress, Dojival Vieira.

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