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16/02/2019
Jovem negro morto por segurança do Extra estava a caminho de clínica para se tratar
Da Redação, com informações das Agências e do G1

Rio – Davi Ricardo Moreira, o segurança que matou com um golpe conhecido como "mata-leão", o jovem negro Pedro Oliveira Gonzaga, 19 anos, foi solto poucas horas depois de ser preso. O delegado responsável, Cassiano Conte, considerou que se tratou de legítima defesa.

O caso aconteceu na última quinta-feira (14/02) em um supermercado Extra, da Barra da Tijuca, no Rio, e o assassinato do rapaz foi presenciado por dezenas de pessoas, inclusive, pela mãe, que ainda tentou impedir, implorando .“Ele está com a mão roxa. Ele não está armado!”. O rapaz teve parada respiratória.

Apesar da cena filmada e das dezenas de testemunhas, a Polícia tratou o caso como legítima defesa e o assassino foi indiciado por homicídio culposo - quando não há intenção de matar. Com o pagamento da fiança, cujo valor não foi revelado, Moreira pôde sair andando pela mesma porta por onde entrou, consagrando o que já se sabe nesses casos: a impunidade é a regra, o que acaba estimulando a brutalidade de seguranças privadas acostumados a agir como leões de chácara.

Em nota, o supermercado Extra, que pertence ao Grupo Pão de Açúcar, afirmou que repudia atos de violência em suas lojas e que abriu uma investigação interna para apurar o caso. Inicialmente, segundo a empresa, foi constatado que “se tratou de uma reação à tentativa de furto a arma de um dos seguranças da unidade da Barra da Tijuca”. Informou ainda que os seguranças envolvidos foram afastados.

Veja: https://youtu.be/MYpAjyYOwDI

O Extra que, a exemplo de outras redes de supermercados, como o Carrefour, lidera casos em que seus seguranças praticam violência contra pessoas negras - em geral, consumidores, tomados por suspeitos de furtos nas lojas. 

Em geral, após a repercussão negativa e para evitar danos a imagem, o Extra paga indenizações simbólicas as vítimas, o caso sai do noticiário, os algozes são absolvidos pela Justiça.

Foi o que aconteceu, por exemplo, em S. Paulo, quando, no dia 13 de janeiro de 2011, seguranças transformaram três meninos negros em reféns numa loja da penha no Hipermercado Extra da Marginal do Tietê, bairro da Penha, Zona Leste de S. Paulo, em 2011. Os agressores ainda não foram julgados.

Dependente

Pedro era dependente químico e a família, de classe média da Barra, lutava para que deixasse as drogas. Em companhia da mãe, ele estava a caminho de uma clínica de reabilitação em Petrópolis, quando pararam na praça de alimentação do Supermercado para almoçar. A mala do rapaz já estava no carro.

Súbitamente, ele se levantou e, segundo uma amiga da família, teve um surto, uma alucinação. O segurança disse que o rapaz teria tenado tirar a arma dele.

O advogado da empresa Group Protection - responsável pela vigilância no Extra - disse que o jovem tentou roubar a arma do segurança, o que é negado por testemunhas que afirmam que o rapaz não tentou pegar a arma do vigilante.

Além da mãe, o padastro e uma amiga da família prestaram depoimento na DH. O padastro confirmou que Pedro Henrique era usurário de drogas e que tinha problemas mentais. Também foram ouvidos o segurança que agrediu o rapaz e mais dois funcionários do supermercado Extra.

Na nota, o supermercado repetiu o que diz em casos semelhantes: que repudia qualquer violência e está colaborando com as investigações. O enterro do rapaz aconteceu na manhá deste sábado, na Zona Norte do Rio.


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