18 de Junho de 2019 |
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Racismo explícito do ex-conselheiro do Santos. Ouça.
31/03/2019
Ditadura militar espionou e perseguiu movimento negro
Da Redação

S. Paulo - Nos 21 anos de ditadura militar, instaurada  entre 1.961 e 1.985, 41 líderes negros morreram ou desapareceram após supostas ações militares com dados da Comissão da Verdade Rubens Paiva, criada na Assembléia Legislativa de S. Paulo. Também constam do Relatório da Comissão relatos de centenas de prisões políticas e casos de tortura de lideranças antirracistas, por todo o país.

Os militares começaram a encarar o movimento negro como ameaça na década de 1.970. No dia 7 de fevereiro de 1.975, um informe expedido pelo Exército foi encaminhado ao Serviço Nacional de Informações (SNI) e ao DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), com informações de um grupo no Rio de Janeiro "liderado por jovens negros de nível intelectual acima da média". O documento afirma que havia influência norte-americana para jovens, que, inspirados estariam "com pretensões de criar no Brasil um clima de luta racial entre brancos e pretos". 

O movimento negro americano é citado em vários desses documentos produzidos pela repressão como responsável por "inspirar" os jovens negros brasileiros, relata Carlos Madero, em reportagem para o Portal Uol, do Grupo Folha.

Comandante Crioulo

Um dos casos mais emblemáticos, foi o de Luiz José da Cunha, o Comandante Crioulo, dirigente da ALN, único negro identificado entre os desaparecidos pelo regime militar enterrados como indigentes no Cemitério de Perus. Ele foi morto sob tortura por agentes do DOI-CODI, depois de ser capturado pela repressão na Avenida Santo Amaro, à altura do número 2.000, no dia 13 de julho de 1.973.

Cunha era dirigente da mesma organização que tinha como principal dirigente, Carlos Marighella, ele também negro, morto numa emboscada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury.

Seus restos mortais foram finalmente entregues para viúva Amparo Araújo, para ser enterrado em 2006, quando faria 63 anos, no Cemitério das Flores, em Recife, junto ao túmulo da mãe, Maria Madalena da Cunha.

Os trabalhos de identificação iniciados por iniciativa do Ministério Público Federal e da Comissão de Familiares de Desaparecidos levaram 15 anos.

Na certidão de óbito do comandante guerrilheiro o ex-legista Harry Shibata fez constar que era branco, informação falsa, que foi retificada por iniciativa do Ministério Público Federal. Durante o ato, o advogado e defensor de presos políticos, Idibal Piveta, ao apresentar o Grupo União e Olho Vivo, que interpretou a canção "Silêncio", do sambista paulistano Geraldo Filme, deixou um recado: "Já que se falou aqui em ponto final, o ponto final só virá quando todos os carrascos e algozes forem julgados".

Parecia uma profecia com efeito contrário: 12 anos depois, os carrascos e algozes, não apenas não foram julgados, como chegaram ao poder.


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