21 de Setembro de 2019 |
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Ativista negra se declara inocente e acusa justiça seletiva
22/04/2019
Acusado de racismo, ex-secretário de Santos responderá inquérito por áudio
Da Redação, com informações das Agências e do G1

Santos/SP – Ameaçado de exoneração do cargo de Secretário Adjunto de Turismo na Prefeitura e de ser expulso do Conselho Deliberativo do Santos, do qual fazia parte, o ex-conselheiro Adilson Durante Filho, renunciou a ambos, porém, terá responder a inquérito policial instaurado na Delegacia Seccional de Santos.

O advogado André dos Santos protocolou, na última sexta-feira (19/04), representação com base na Lei 7.716/89 – a Lei antirracista – que no seu artigo 20 pune com até 3 anos de reclusão e multa quem praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”.

“Faço isso não por mim apenas, mas pelo meu pai, pela minha mãe, pela minha irmã, tios, tias e avós e, especialmente, pela minha filha, pois o caráter de um homem jamais poderá ser medido em razão da sua cor, da sua crença, origem ou coisa que o valha, sendo esse, inclusive, o entendimento que sempre me guiou”, disse o advogado.

Racismo explícito

Em áudio que se tornou público na quinta-feira (18/04), o ex-secretário adjunto e ex-conselheiro do Santos faz declarações depreciativas e injuriosas aos pardos que correspondem a maioria da população negra brasileira e afirma que “são todos mau caráter”. “Sempre que tiver um pardo, o pardo o que que é, não é aquele negão, também não é o branquinho. É o moreninho, da cor dele. Desses caras, tem que desconfiar de todos. Todos que tu conhecer. Essa cor é uma mistura de uma raça que não tem caráter... É verdade, isso é estudo. Todo pardo, todo mulato, tu tem que tomar cuidado. Não mulato tipo o Pedro, o Pedro é tipo índio, tipo chileno, essas porras. Estou dizendo mulato brasileiro, entendeu, dos pardos brasileiros. São todos mau caráter. Não tem um que não seja."

O caso provocou revolta e indignação, não apenas dos ativistas negros, mas também da torcida e do Conselho Deliberativo do Santos. O prefeito Paulo Alexandre Barbosa, ele próprio um pardo, divulgou nota em que “manifesta, com veemência, repúdio a qualquer manifestação que defenda ou propague preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade ou quaisquer outras formas de discriminação”.

VEJA:

https://globoplay.globo.com/v/7560271/programa/

Expulsão

No Conselho Deliberativo do clube, alguns conselheiros acham a renúncia insuficiente e querem sua expulsão. Em Nota, o Conselho destacou que que o Santos Futebol Clube tem na sua trajetória a marca de ter sido, nos anos 60, um dos símbolos mais fortes, em nível mundial, do combate ao racismo”.

“O time mágico de Pelé, Pepe, Coutinho, Zito e tantos outros gênios do futebol, espalhou aquela maravilhosa imagem de brancos e negros se abraçando para comemorar gols que encantavam o mundo. Até hoje mantemos acesa essa tradição. Assim, é muito triste que tantas décadas depois tenhamos de vir a público reafirmar nosso absoluto repúdio a qualquer forma de discriminação e racismo. Temos orgulho da nossa história construída em 107 anos de existência por ídolos negros, pardos, brancos e seres humanos de todas as etnias. Brasileiros, somos produto da miscigenação. Santistas, vamos continuar lutando pela paz do nosso branco e pela nobreza do nosso preto, cores eternamente entrelaçadas em nossa história”.

Flagrante

Pego em flagrante em ato de racismo explícito o ex-conselheiro e ex-secretário esboçou um pedido envergonhado de desculpas e, como normalmente acontece nesses casos, negou ser racista.

"Jamais tive a intenção de atingir quem quer que seja, até porque assim me manifestei em um pequeno grupo de supostos amigos de WhatsApp. Consigno que não tenho qualquer preconceito em razão de cor, raça ou credo, pois minha criação não me permitiria ser diferente. Peço, humildemente, desculpas a todos que se sentiram ofendidos, e expresso, por meio deste comunicado, meu mais profundo arrependimento quanto às palavras genericamente proferidas”, disse o ex-conselheiro.


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