9 de Abril de 2020 |
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Ativista negra se declara inocente e acusa justiça seletiva
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19/03/2020
Estratégia: para vencer pequenas batalhas e grandes guerras
Roberto Cruz

É afro-empreendedor, autor do Projeto Crespos - um caminho para a igualdade. É ativista do movimento negro de S. Paulo.

Propomos aqui, diálogo com o público Afropress sobre questões econômicas relativas aos afro brasileiros. Buscamos apoio em pesquisadores de áreas posicionando nosso foco e encontramos evidências científicas que confirmam a hipótese de que o homo sapiens sapiens que sucedeu o homo erectus migrou de solo africano há mais de 200 mil anos, atravessando mares, espalhando a humanidade, adaptando a forte melanina e narinas dilatadas ao clima das diferentes latitudes.

Três grandes reinos africanos; Ghana, Mali e Shonghai lideraram o ranking mundial de geração de riquezas, entre os séculos IX e XI. Fortunas foram transportadas pelas rotas trans saharianas, capitalizando reinos e mercados, que séculos após criariam as primeiras companhias do Ciclo das Navegações, que deram inicio à globalização, e suas consequências nefastas; concentração de poder, tudo e todos passaram a ter valor de troca, e a geração de lucro ampliou a dominação dos povos.

Essa conjuntura possibilitou a submissão e transferência de mais de 10 milhões de africanos para as Américas recém descobertas, aproximadamente metade para o Brasil. A história assistiu ainda a Revolução Industrial, a Francesa, a do Haiti, e somente no final do século XIX, por pressão dos mercados mundiais a ‘Libertação’ no Brasil.

Desde então os brasileiros afrodescendentes lutam pela sobrevivência, igualdade e valorização da dignidade, enfrentando a discriminação, o racismo, a falta de oportunidades e espaços no poder.

Organizações internacionais, mostram a todo tempo, a gravidade da nossa realidade. Somos a pior concentração econômica mundial. A Oxfam, a Unesco afirmam que apenas 06 dos brasileiros mais ricos, detêm poder financeiro, proporcional a 100 milhões dos mais pobres. Não precisamos de estatísticas prá identificar a descendência dessa gente.

Renato Meirelles e Celso Athaide descrevem no livro "Um país chamado favela", que se juntarmos todas as favelas brasileiras num único Estado, seria o quinto mais populoso e movimentaria uma renda de R$ 63 bilhões de reais.

Se considerarmos que nem todos os pretos estão em favelas, mas todos sofremos com racismo e desigualdades, e apesar da imensa pobreza que lideramos, somamos mercado de consumo invejável a países do primeiro mundo europeu.

Negros brasileiros formam uma população próxima da Inglaterra, França e Portugal juntos, precisamos de estratégias para assumir o protagonismo nesse mercado fabuloso. Ação impossível a uma década. Agora vivemos outro momento, após o ingresso de muitos jovens nas universidades, através das cotas. As palavras chaves agora são: ACELERAÇÃO, BLACK MONEY, GESTÃO, ESTRATÉGIAS.


"Este artigo reflete as opiniões do autor e não do veículo. A Afropress não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizada pelas informações, conceitos ou opiniões do (a) autor (a) ou por eventuais prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso da informações contidas no artigo."
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