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04/08/2013
Assassinato de líder religiosa Yá Mukumby choca Londrina
Da Redação, com informações do Jornal de Londrina e Agências

Londrina/PR – Vilma Santos de Oliveira, a Yá Mukumby, 63 anos, líder do movimento negro em Londrina, no Paraná, foi assassinada na noite deste sábado (03/08), no Jardim Champagnat, Zona Oeste da cidade. Além de Yá Mukumby foram mortas mais três pessoas, entre as quais, sua mãe, Alial de Oliveira Santos, 86 anos, e uma neta de 10 anos. O crime chocou Londrina, a segunda cidade mais populosa do Paraná e a quarta da região sul.

Além do pano de fundo machista (o alvo do agressor era sua própria companheira, Patrícia Amorim Dias, de 19 anos) o crime pode ter sido gerado pela intolerância religiosa: de acordo com vizinhos, o assassino Diego Ramos Quirino, 30 anos, era evangélico e dizia estar "com o diabo no corpo”.

Dona Vilma ou Yá Mukumby, como era conhecida no Paraná e no Brasil, era famosa pelo seu largo sorriso e voz mansa, o que a tornou uma liderança respeitada. “Ah, deve ser porque eu respeito a diversidade”, costumava dizer a zeladora do terreiro do Ilê Axé Ogum Megê. O nome Makumby Alagangue vem da língua Kibundo.

Ela foi responsável por tornar o Candomblé respeitado em Londrina. “Acho que fiz minha parte, sim. Fui ousada ao encarar o preconceito de frente. Sou macumbeira porque macumba é um ritmo que se dança aos orixás”, costumava dizer.

Um dos seus admiradores é o cantor, compositor e ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil (na foto ao lado, retirada da sua página no Facebook). Yá Mukumby também tinha entre suas amigas, a ex-governadora e deputada federal pelo Rio, Benedita da Silva, e Dona Zica, viúva do compositor Cartola, da Estação Primeira de Mangueira, morta em 2003. O velório será realizado no Ilê Axé Ogum Megê, rua Elis Regina, Jardim Ana Elisa III, Cambé (próximo do CAIC).

O crime

Cabelereiro e maquiador, o assassino era morador da rua há pouco tempo e, segundo vizinhos, tinha comportamento estranho, falava muito em Deus e dizia não acreditar no que diziam na Igreja.

O delegado Willian Douglas Soares, que atendeu a ocorrência, disse que o assassino respondeu a apenas perguntas de cunho pessoal para sua qualificação, negando-se a falar sobre o crime e limitando-se a confirmar ter “matado quatro pessoas”.

Segundo testemunhas o crime aconteceu por volta das 21h30 deste sábado, quando o assassino, que era vizinho da líder religiosa, começou a discutir e tentou agredir sua companheira Patrícia Amorim Dias, 19 anos. Ele acabou contido pela mãe, Ariadne Benck dos Anjos, 48 anos, que se tornou sua primeira vítima.  

Fora de si, armou-se uma faca e saiu atrás de Patrícia, pulando o muro que fica entre a casa onde vivia e a de Yá Mukumby, que também foi morta a facadas juntamente com a neta e a mãe. Depois Quirino seguiu para um salão de festas infantil, que fica próximo, onde a companheira se refugiou. Populares detiveram o criminoso e chamaram a Polícia. De acordo com testemunhas, falando de modo desconexo, o assassino foi preso e encaminhado à Unidade Dois da Penitenciária de Londrina (PEL 2).

 


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