17 de Setembro de 2019 |
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Ativista negra se declara inocente e acusa justiça seletiva
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04/09/2019
Como na escravidão, jovem negro é torturado com chibatadas em SP
Da Redação, com informações da Folha, G1 e Agências

S. Paulo/SP – Como nos tempos da escravidão, em que cenas de negros chicoteados eram banais e corriqueiras, um adolescente negro de 17 anos, foi torturado e surrado com chibatadas há pouco mais de um mês, em plena capital paulista, a maior e mais importante cidade da América do Sul.

O caso aconteceu no mês passado, numa loja da avenida Yervant Kissajikian, na Vila Joaniza, Zona Sul de S. Paulo, e o vídeo de 40 segundos, em que o rapaz aparece se contorcendo em dores enquando seus algozes lhe aplicam chicotadas, começou a ganhar as redes sociais. 

Em agosto de 2009, o vigilante da USP, Januário Alves de Santana, negro, foi tomado por suspeito do roubo do próprio carro - um EcoSport - na loja do Carrefour, da Avenida dos Autonomistas, em Osasco. Dominado ele foi espancado por seis seguranças e teve o maxilar quebrado em três partes.

O Carrefour indenizou Santana em valores considerados satisfatórios, em acordo extra-judicial, porém, a Justiça absolveu os algozes "por falta de provas", decisão confirmada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, há 2 anos. Veja: http://www.afropress.com/post.asp?id=20824.

Covardia infame

No vídeo, os seguranças aparecem seviciando o adolescente que tem o corpo despido e grita de dor. A acusação é de que o rapaz furtara uma barra de chocolates. Ele disse a Polícia que foi chicoteado com fios trançados e ameaçado de morte.  Foi a terceira vez que foi agredido pelos mesmos seguranças por furtar chocolate no mercado. O caso está registrado no 80º Distrito PoliciaI.

Confira matérias:

https://www.youtube.com/watch?v=PIcpUhn-phs

https://www.youtube.com/watch?v=Q8izwtg6TL4

https://www.youtube.com/watch?v=p40JR_NSZhI

Os torturadores já foram identificados. São: Valdir Bispo dos Santos, 9 anos, que já o conhecia, o abordou e constatou a tentativa de furto, e Davi de Oliveira Fernandes, 37 anos. Eles levaram o rapaz até uma sala nos fundos do supermercado, onde foi obrigado a tirar parte da roupa e abaixar a calça. A dupla então usou fios elétricos trançados para improvisar um chicote e começar o espancamento. Uma bola de papel foi colocada na boca do menino para que aguentasse a sessão de tortura, sem despertar a atenção dos clientes.

A dupla, então, usou fios elétricos trançados para improvisar um chicote e espancá-lo. Uma bola de papel foi colocada na boca do menino para que ele aguentasse a sessão de tortura sem alarmar os demais clientes. 

Tortura

Segundo o Boletim de Ocorrência, os dois seguranças o levaram para um quarto nos fundos da loja, onde foi despido, amordaçado e amarrado. A sessão de torturas durou 40 minutos, segundo o jovem.

"Eu fui pegar um chocolate. Aí, eles me pegou [sic] me levou no quartinho me deu uma pá de chicotada. Aí ele falou que se eu falasse pra alguém ele ia me matar ainda, me ameaçou de morte. Muita maldade isso daí", disse, o rapaz que mora na rua desde os 12 anos. Ele contou já ter tido passagem pela Fundação Casa. “Quero justiça contra isso, eles fizeram na maldade quero por eles dentro das grades”, afirmou.

O caso provocou indignação até do delegado Pedro Luis de Souza, titular do DP que atendeu a ocorrência. "Este foi um crime covarde, extremamente violento, inominável. Eu, sinceramente não consegui ver o vídeo todo (até o final). Isso é uma barbaridade uma violência incomensurável", afirmou o policial.

Em nota, o supermercado Ricoy, por meio de sua assessoria de imprensa, disse que repugna a atitude dos seguranças e tomou conhecimento dos fatos por intermédio da reportagem.

“A empresa repugna esta atitude e foi com indignação que tomou conhecimento dos fatos por intermédio da reportagem. Que a empresa não coaduna com nenhum tipo de ilegalidade e colaborará com as autoridades competentes envolvidas na apuração do caso, a fim de tomar as providências cabíveis", diz a nota.

Ariel de Castro Alves, conselheiro do Conselho Estadual de Direitos Humanos (Condepe), disse que está acompanhando a investigação e que cobra a punição dos responsáveis pelos “atos bárbaros e cruéis de tortura”.

Segundo Ariel, “existem indícios contundentes de crime de tortura praticado pelos seguranças. A tortura ocorre quando alguém é submetido, com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental. A Lei 9455 de 1997, prevê penas de 2 a 8 anos aos acusados”.

A Lei define o crime de tortura, em razão da discriminação racial ou religiosa. Segundo o relato do rapaz, enquanto o espancavam os seguranças afirmavam: "isso é para não te matar, preto".

 

 


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